América Latina em luto

Morre o escritor uruguaio Eduardo Galeano, aos 74 anos

'As Veias Abertas da América Latina' converteu-se em clássico para os que procuram compreender as amarras ao desenvolvimento no continente

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Galeano

Pensamento progressista em luto com a morte do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano

São Paulo – O escritor, jornalista e ensaísta Eduardo Galeano morreu na manhã de hoje (13), aos 74 anos, em Montevidéu, em decorrência de um câncer de pulmão.

Sua obra mais emblemática, o livro As Veias Abertas da América Latina, escrita aos 31 anos e traduzida em mais de 20 idiomas, influenciou gerações de jovens, intelectuais e políticos, por todo o continente, na busca pela compreensão das raízes do subdesenvolvimento econômico e do histórico de opressão e subordinação da região aos interesses das grandes potências.

Autor de mais de 40 livros, que combinam análise política, jornalismo, história e ficção, Galeano também era um aficionado por futebol, outro objeto privilegiado, como em Futebol ao sol e à sombra (1995).

Após abandonar o sonho de se tornar jogador, iniciou sua carreira jornalística nos anos 60, com passagens nas principais publicações uruguaias, como chefe de redação do semanário Marca e editor do jornal Época.

Durante o golpe militar no Uruguai, em 1973, exila-se na Argentina e, após novo golpe, parte para a Espanha, em 1976. Retorna a Montevidéu na redemocratização, em 1985, onde viveu até a sua morte.

Galeano foi proclamado doutor honoris causa por várias universidades, em Cuba, El Salvador e Argentina, entre outras.