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Por crise na Ucrânia, UE impõe à Rússia maior pacote de sanções desde fim da Guerra Fria

Nas últimas 48 horas, 30 pessoas morreram na Ucrânia, segundo separatistas. Moscou pede que EUA cessem apoio à ofensiva de Kiev contra civis
por Opera Mundi publicado 29/07/2014 17h22
Nas últimas 48 horas, 30 pessoas morreram na Ucrânia, segundo separatistas. Moscou pede que EUA cessem apoio à ofensiva de Kiev contra civis
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ataque

Bombeiros trabalham para apagar o fogo em uma casa na cidade de Horlivka após ofensiva do governo

São Paulo – Os países da União Europeia anunciaram hoje (29) a imposição de sanções econômicas contra a Rússia por considerarem que ela não fez o suficiente para diminuir a tensão na Ucrânia. Trata-se do mais amplo pacote de sanções já imposto contra a Rússia desde o final da Guerra Fria. Além disso, os EUA acusam Moscou de ter violado o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado por ambos em 1987.

Por sua vez, os Estados Unidos também anunciaram sanções às três maiores instituições financeiras russas: o Banco de Moscou, o Banco de Agricultura Russo e o Banco VTB, aos setores de energia e armamentos.

Esta é a primeira vez em que há consenso na UE para impor sanções econômicas a Moscou. A medida inclui restrições financeiras e embargo de armas. O objetivo é bloquear investimentos em alguns setores da economia da Crimeia e de Sevastopol, principalmente no que se refere a construção, transporte, telecomunicações e energia.

Por outro lado, o Kremlin pediu aos Estados Unidos que cessem o apoio à ofensiva das forças governamentais ucranianas contra a população civil das regiões separatistas do leste do país.

A relação entre a Rússia e as potências ocidentais piorou após a queda do avião da Malaysia Airlines com 298 pessoas no leste da Ucrânia, em área controlada por manifestantes pró-Rússia. Os europeus consideram que a Rússia continua transferindo armas aos opositores. O Kremlin nega as acusações.

Sanções

Até o momento, as sanções contra a Rússia estavam concentradas no cancelamento de reuniões bilaterais, suspensão da cooperação em determinadas áreas, congelamento de ativos e proibição de vistos para pessoas e entidades consideradas responsáveis pela desestabilização do leste da Ucrânia.

Esta nova decisão foi tomada um dia depois da conversa entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel; o presidente francês, François Hollande, e com os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron, e da Itália, Matteo Renzi, para coordenarem a possibilidade de decretar novas sanções setoriais contra o país euroasiático.

As medidas afetarão também os interesses de multinacionais francesas, britânicas e alemãs e serão revistas no prazo de três meses.

Defesa de civis

Hoje, o Ministério das Relações Exteriores russo, por meio de um comunicado, pediu que os EUA e a UE cessem o apoio à ofensiva das forças governamentais ucranianas contra a população civil das regiões do leste do país.

O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, pediu ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que exerça sua influência sobre as autoridades ucranianas “para conseguir um rápido cessar-fogo e o início do diálogo no sudeste do país”.

Moscou denunciou que somente hoje morreram 17 civis, entre eles três crianças, durante bombardeios da artilharia ucraniana contra a cidade de Górlovka, em Donetsk. Autoridades locais afirmaram que 30 pessoas, sendo oito crianças, morreram nas últimas 48 horas na região.

"A responsabilidade pelas mortes entre a população civil no leste da Ucrânia está também naqueles que apoiam as ações criminosas", observou o comunicado. A chancelaria russa denunciou também o bombardeio da cidade de Donetsk, onde obuses ucranianos atingiram alguns prédios residenciais, pátios e um parque central.

O Exército ucraniano responsabiliza as milícias separatistas por esses ataques.

Segundo a ONU, o conflito já matou cerca de 1.200 pessoas e deslocou mais de 100 mil, além dos 130 mil que buscaram refúgio na Rússia.