Turbulência

Em Brasília, Cristina Kirchner diz que Argentina sofre ‘pilhagem internacional’

Presidenta do país vizinho destaca importância do banco dos Brics como alternativa a instituições que, 'em vez de dar soluções, não fazem mais do que complicar a vida dos povos'

José Cruz/Agência Brasil
Cristina Kirchner

Presidenta argentina participa de reuniões entre países do Brics e da União de Nações Sul-Americanas

São Paulo – A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, defendeu hoje (16) o fim de um processo que, segundo ela, está vitimando seu país, que passa por uma turbulência econômica. “Acreditamos em uma pátria grande e que é preciso acabar com esse tipo de pilhagem internacional em matéria financeira, que hoje estão querendo fazer contra a Argentina e também vão tentar levar adiante contra outros países”, disse, ao chegar ao hotel em que se hospeda em Brasília para participar da cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Cristina se referiu ao mercado financeiro internacional e aos fundos que compram títulos de dívidas não honradas a preço baixo para depois exigir o pagamento integral. Ela participa, na capital federal, da reunião entre o países-membros do Brics e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A presidenta da Argentina foi recebida por um grupo de militantes do PT na porta do hotel. “É muito importante, sobretudo para vocês, que são jovens do presente e do futuro, não permitir que lhes hipotequem a esperança, as ilusões e os sonhos de um país melhor, de uma América do Sul melhor e de um mundo melhor”, afirmou.

Analistas veem o risco de aprofundamento da turbulência econômica na Argentina, caso se confirme a possibilidade de um novo calote da dívida, especulada pelo mercado. Segundo alguns especialistas, pode haver um novo “default”, como o ocorrido em 2001, quando o país anunciou que deixaria de honrar cerca de 100 bilhões de dólares de sua dívida pública.

Depois do calote de 2001, quando o país era presidido por Fernando de la Rúa, a Argentina renegociou a dívida com 93% dos credores com valor inferior ao dos títulos e parcelamento em 30 anos.  Porém, alguns fundos foram à justiça e em 2012 o juiz norte-americano Thomas Griesa, de Nova York, determinou que o governo argentino pague o valor integral da dívida. A Argentina recorreu, mas perdeu em decisão da Suprema Corte dos EUA em junho de 2014, e terá de desembolsar 1,33 bilhão de dólares (2,94 bilhões de reais) a três fundos, que na Casa Rosada são chamados “fundos abutres”.

A derrota judicial argentina ameaça a já debilitada saúde financeira do país, que vê cair suas reservas internacionais e a inflação subir, atingindo os cerca de 30% anuais.

Em Brasília, Cristina Kirchner destacou a criação do banco dos Brics e do Arranjo Contingente de Reservas. “Hoje vamos dar um passo importante. Ontem deu-se um aqui no Brasil e demos outro com a Unasul, quando constituímos o Banco do Sul. É importante que surjam cada vez mais instituições que questionem o funcionamento de organismos multilaterais que, em vez de dar soluções, não fazem mais do que complicar a vida dos povos,” disse Cristina, em referência ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ontem, após o anúncio da criação do banco dos Brics, a presidenta Dilma Rousseff, questionada sobre se a instituição pode vir a ajudar o país vizinho, respondeu: “Fizemos o banco para possibilitar investimentos, para dar uma rede de proteção ao grupo Brics e olhar com toda generosidade para os países em desenvolvimento. Se a Argentina vai ser beneficiada, vamos ver daqui para a frente”.

Com informações da Agência Brasil