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CRISE

Crimeia se declara independente da Ucrânia. EUA e Europa preparam sanções

No próximo domingo (16), um referendo, também questionado, perguntará aos cidadãos locais se desejam se anexar à Rússia. Parte da comunidade internacional considera medida ilegítima
por Redação RBA publicado 11/03/2014 10h48, última modificação 11/03/2014 15h28
No próximo domingo (16), um referendo, também questionado, perguntará aos cidadãos locais se desejam se anexar à Rússia. Parte da comunidade internacional considera medida ilegítima
SERGEI ILNITSKY/EFE
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Protestos na Rússia em apoio a anexação da Crimeia

Kiev O Conselho Superior (Parlamento regional) da Crimeia aprovou hoje (11) uma declaração de independência da Ucrânia e reiterou seu desejo de se incorporar à Rússia. Como reação, o embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas em Genebra, Yurii Klymenko, afirmou que a independência da península é "ilegítima" e que o Parlamento regional não tem autoridade para determinar a separação.

A resolução, que entraria em vigor logo após ser aprovada, foi apoiada por 78 dos 100 deputados do Parlamento da rebelde região autônoma ucraniana, cuja maioria da população é de origem russa, segundo um porta-voz daquela Casa Legislativa.

"As autoridades da Crimeia são ilegítimas, porque foram escolhidas em violação dos procedimentos existentes e de todas as leis da Ucrânia. Os líderes da Crimeia são ilegítimos, os legisladores são ilegítimos, e se o corpo legislativo é ilegítimo, as resoluções que toma são, obviamente, ilegítimas", afirmou Klymenko.

No próximo domingo (16), o mesmo Parlamento Regional realizará um referendo na região autônoma para perguntar aos cidadãos locais se desejam se anexar à Rússia. A consulta popular foi declarada ilegal pelo governo da Ucrânia.

Os crimeanos foram convocados às urnas para responder duas perguntas: "Você é a favor da reunificação da Crimeia com a Rússia" e "Você é a favor que se volte a colocar em vigor a Constituição da Crimeia de 1992 e do status da Crimeia como parte da Ucrânia?"

"Não reconhecemos o referendo porque é inconstitucional e ilegítimo. Porque contradiz a atual legislação ucraniana. A decisão de mudar o território só poderia ser o resultado de um referendo em toda a Ucrânia", disse o embaixador. "Além disso, como se pode realizar um referendo justamente quando as tropas russas estão desdobradas e armadas? Quem vai votar livremente com um fuzil apontado para a cabeça?", completou.

A Crimeia, península banhada pelo Mar Negro, tem dois milhões de habitantes, dois quais 60% são russos, 25% ucranianos e 12% tártaros.

Sanções

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, disse hoje que sanções contra a Rússia podem ser impostas ainda esta semana se Moscou não responder às propostas do Ocidente para resolver a crise na Ucrânia. "Nós enviamos, por intermédio de John Kerry [secretário de Estado norte-americano], uma proposta aos russos", disse o chefe da diplomacia francesa à Rádio France-Inter, indicando que ainda não chegou uma resposta.

"Eles ainda não responderam. Se responderem afirmativamente, John Kerry irá a Moscou e, a essa altura, as sanções não serão imediatas. Se ele não responder ou responder negativamente, haverá uma série de sanções que poderão ser aplicadas durante esta semana", acrescentou.

Na segunda-feira (10), o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, declarou que a Rússia rejeita o princípio do fato consumado que os ocidentais querem impor sobre a Ucrânia e vai apresentar propostas próprias para solucionar a crise.

"Nós preparamos as nossas próprias propostas. Elas visam a repor a situação no âmbito do direito internacional, tendo em conta os interesses de todos os ucranianos, sem exceção", disse Lavrov, citado pela agência russa Itar-Tass.

Lembrando que as propostas transmitidas por John Kerry não tinham agradado a Moscou, o chefe da diplomacia russa afastou a ideia de criação de um grupo de contato, sugerido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente norte-americano, Barack Obama.

"Encontramos [nas propostas enviadas a Moscou] uma concepção que não parece convir-nos verdadeiramente, porque tudo que está formulado vai no sentido de um pretenso conflito entre a Rússia e a Ucrânia e, desse modo, do reconhecimento do fato consumado", sustentou Lavrov, segundo a Itar-Tass.

"Os nossos parceiros propunham que trabalhássemos a partir dessa situação, criada por um golpe de Estado", acrescentou.

Até agora, a Rússia recusou-se categoricamente a reconhecer qualquer legitimidade aos novos dirigentes da Ucrânia, que ascenderam ao poder após três meses de manifestações que levaram à deposição e fuga do presidente Viktor Ianukóvitch e deixaram uma centena de mortos em fevereiro.

O Kremlin lembrou que considera Ianukóvitch o presidente legítimo da Ucrânia, remetendo os ocidentais para os termos de um acordo assinado em 21 de fevereiro em Kiev, que fornecia uma saída para a crise negociada com um governo provisório e a realização de novas eleições.

Por seu lado, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos e pela Alemanha, tem apelado nos últimos dias ao presidente russo para que aceite a criação de um grupo para solucionar a crise ucraniana.

A Presidência norte-americana definiu, na sexta-feira (7), que se trata "de um grupo de contato que conduzirá o diálogo entre a Ucrânia e a Rússia para que haja uma inversão da escalada de violência e para que seja restaurada a integridade territorial da Ucrânia".

*Com informações da Efe e da Agência Brasil