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Venezuela rechaça 'intervencionismo' dos EUA após declarações de Obama sobre protestos

Ministério de Relações Exteriores divulga nota em que 'repudia terminantemente' os comentários do presidente norte-americano, que condenou surto de violência e pediu diálogo
por Redação RBA publicado 20/02/2014 18h38
Ministério de Relações Exteriores divulga nota em que 'repudia terminantemente' os comentários do presidente norte-americano, que condenou surto de violência e pediu diálogo
Miguel Rajmil/EFE
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Venezuelanos protestam em Nova York contra violência. Para Maduro, Obama realiza intromissão

São Paulo – O Ministério de Relações Exteriores da Venezuela divulgou hoje (20) nota pública em que “repudia terminantemente” as declarações emitidas ontem (19) pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quem condenara o surto de violência política no país caribenho e pedira que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, atenda às “reivindicações legítimas” de seus cidadãos em vez de expulsar diplomatas norte-americanos sob “acusações falsas”.

O governo venezuelano responsabilizou Washington na última segunda-feira (17) pela violência durante as manifestações pacíficas na Venezuela e deu um prazo de 48 horas para que os diplomatas americanos Breeann Marie McCusker, Jeffrey Gordon Elsen e Kristofer Lee Clark deixassem o país. O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, acusou funcionários dos Estados Unidos de promover grupos violentos e de oferecer apoio financeiro a eles através de “organizações de fachada”. Em resposta, Obama pediu que o governo venezuelano “liberte os manifestantes que foram presos e realize um diálogo verdadeiro”.

A Venezuela considerou que, ao comentar a situação do país, Obama se imiscuiu em assuntos internos dos venezuelanos, “com o agravante de se basear em informação falsa e avaliações sem fundamento”. O presidente dos Estados Unidos estava em visita oficial ao México quando teceu observações sobre os conflitos em Caracas. “É uma ofensa à terra heroica (…) do valente povo mexicano que Obama siga agredindo um país livre e soberano da América Latina, cujas políticas, orientações e decisões são resultado da vontade popular expressa democraticamente.”

A nota venezuelana continua pedindo que os Estados Unidos esclareçam as razões pelas quais “financiam, apoiam e defendem dirigentes opositores que promovem violência” no país. A chancelaria bolivariana também insta Washington a explicar “com que direito” o subsecretário-adjunto de Estado para a América Latina, Alex Lee, transmitiu uma mensagem do governo norte-americano em que tenta impor condições e ameaçar a Venezuela após o governo de Caracas ter decidido prender Leopoldo López, líder da oposição, e colocá-lo à disposição da justiça.

Finalmente, o governo de Nicolás Maduro assegurou que continuará “monitorando e tomando as medidas necessárias para impedir que agentes estadunidenses procurem implantar a violência e a desestabilização, e para informação o mundo sobre a natureza da política intervencionista do governo Obama no país”.