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Venezuela

Novo protesto contra governo deixa feridos e destroços em Caracas

Presidente Nicolás Maduro diz enfrentar golpe financiado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Segundo ele, jovens são usados como “carne de canhão” por grupos violentos que querem destituí-lo
por Luciana Taddeo, do Ópera Mundi publicado 16/02/2014 14h03
Presidente Nicolás Maduro diz enfrentar golpe financiado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Segundo ele, jovens são usados como “carne de canhão” por grupos violentos que querem destituí-lo
Reprodução Telesur
Nicolás Maduro

Presidente afirma que está sendo criado cenário de golpe como o que tentou derrubar Chávez em 2002

Caracas – Um novo protesto contra o governo realizado neste sábado (15/02) pela libertação de colegas presos nas manifestações da última semana terminou em confronto entre estudantes opositores e forças policiais, que lançaram mão de bombas de gás e jatos d'água. Segundo Ramón Muchacho, prefeito do município venezuelano de Chacao, localizado no distrito metropolitano de Caracas, 23 pessoas ficaram feridas, sete delas por balas de borracha.

O protesto se iniciou pacificamente no bairro de Las Mercedes, mas horas depois terminou com atos de depredação. No início da noite, o prefeito escrevia em seu perfil no Twitter que havia danos materiais em vidros e fachadas da Direção Executiva da Magistratura, do Banco da Venezuela e do Banco Provincial, de onde manifestantes levaram cadeiras e outros objetos.

“Haverá algum limite para a violência e o vandalismo? Tem justificativa para o que está acontecendo? Alguém assume a responsabilidade?”, questionou Muchacho, em meio a diversas postagens na rede social durante a noite. O prefeito opositor ao governo de Nicolás Maduro questionou a falta de liderança nas ações, que catalogou como “anarquia” e recomendou aos moradores fecharem janelas pelos gases lançados pelos policiais.

Também por meio do Twitter, o presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela, Juan Requesens, rechaçou “infiltrados” que destroçam o patrimônio e afirmou que o movimento estudantil não é violento. “Denuncio publicamente que infiltrados querem causar destroços em Chacao para culpar os estudantes”, escreveu.

“O movimento estudantil faz um chamado à prudência e a não cair no jogo dos que se infiltram para fazer o caos. Não queremos mais mortes”. Requesens se referia ao saldo de três mortos registrado na última quarta-feira, quando também ficaram feridas mais de 60 pessoas. Após o ocorrido, a promotora geral da República prometeu que os responsáveis pela violência enfrentarão a Justiça.

Em meio à confusão da noite de protesto, o dirigente opositor Leopoldo López escreveu em seu Twitter que anunciará “ações”. “Venezuelanos: em horas anuncio ações. Na rua, com vocês, na Venezuela. Peço que não acreditem em rumores da ditadura. Jamais me irei”, expressou ele, que segundo o chefe de Estado do país é um dos autores intelectuais da violência da última semana e está sendo procurado pela Justiça.

López é um dos líderes de uma campanha iniciada há algumas semanas, ao lado da deputada opositora María Corina Machado, que propõe a saída do governo de Maduro. Segundo a imprensa local, a residência dos pais do dirigente foi revistada por corpos de segurança do Estado, na noite de ontem, em busca de López. O partido reiterou a convocatória para um novo protesto para este domingo “para continuar impulsionando a saída”.

Golpe em desenvolvimento

Maduro denuncia estar enfrentando um “golpe de Estado em desenvolvimento” financiado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Segundo ele, jovens estão sendo utilizados como “carne de canhão” por grupos violentos que têm como objetivo tirá-lo do poder. Neste sábado, uma jornalista da emissora Globovisión denunciou ter sido agredida por alguns manifestantes durante a cobertura dos atos da última noite, sob a acusação de que o canal não transmitia as manifestações.

O presidente enfatizou ontem, durante reunião com representantes do Mercosul, que não vai renunciar: "Sou presidente porque há uma revolução. Não vou renunciar porque este poder não me pertence, é da população, dos trablhadores", disse. Maduro vem denunciando que a direita pretende criar o mesmo cenário de golpe de Estado de abril de 2002, contra o então presidente Hugo Chávez.