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Distensão

Nicolás Maduro chama governadores de oposição para discutir situação da Venezuela

Presidente pediu que eles impeçam atos de violência; Henrique Capriles diz que 'civis não dão golpes de estado'
por Luciana Taddeo, do Opera Mundi publicado 20/02/2014 18h22
Presidente pediu que eles impeçam atos de violência; Henrique Capriles diz que 'civis não dão golpes de estado'
Santi Donaire/EFE
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Maduro afirmou que líderes opositores têm responsabilidade pelo que está ocorrendo no país

Caracas – Em meio à escalada de atos de violência e protestos ao redor do país, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu que os governadores da oposição participem da reunião de Conselho Federal de Governo que será realizada na próxima segunda (24).

“Aí te espero, [Henrique] Capriles, aí te espero, Henry Falcón, aí te espero, Liborio Guarulla, não sigam fugindo do diálogo, não sigam fugindo de seu trabalho, aí os espero para falar de paz (...) eu os convoco como chefe de Estado, última convocatória”, disse Maduro na noite de ontem (19), sobre os governadores dos estados venezuelanos de Miranda, Lara e Amazonas, respectivamente.

O chefe de Estado pediu ainda que os governadores opositores impeçam ataques contra espaços e meios de transporte públicos. No momento do discurso, informou que uma torre da CanTV, rede de telecomunicações estatal, estava sendo atacada no estado de Lara, liderado pelo opositor Henry Falcón.

“Vocês, chefes políticos da oposição, têm responsabilidade com este país e têm que chamar a que cesse a violência que promoveu um dos seus”, disse, fazendo referência a Leopoldo López, que conduzia uma campanha chamada “A Saída”, propondo presença nas ruas até uma mudança do governo, antes de ser preso, na última terça-feira (18).

Maduro afirmou que, “na Venezuela, está sendo aplicado um formato de golpe de estado continuado para colocar a sociedade contra a parede, para encher de violência o país”. Segundo ele, o objetivo é “gerar um espiral crescente de ódio e confrontação de povo contra povo e depois justificar o injustificável que é o chamado a intervenção estrangeira, militar, nos assuntos internos da Venezuela”.

Na manhã de hoje (20), Capriles se pronunciou em uma coletiva de imprensa, na qual afirmou que “civis não dão golpes de estado”. “Eu não dialogo nem vou a reuniões com uma pistola na cabeça e sob ameaças e chantagens. Para poder dialogar tem que haver uma agenda, com compromisso, sem condicionamentos em termos do que significa este compromisso, se requerem dois para dialogar, duas partes”. A aliança opositora convocou, para o próximo sábado, uma marcha “pela paz” e desarmamento de coletivos.

O governador afirmou não ser verdade que as armas da república estão somente em mãos das Forças Armadas. Segundo ele, “há grupos paramilitares armados pelo governo” que saíram para disparar e gerar uma situação de violência “com pleno conhecimento do governo”. “Nós exigimos que os grupos paramilitares sejam desarmados de imediato, Isso forma parte de uma agenda de diálogo, isso é dialogar”, expressou.

No discurso de ontem, Maduro ressaltou, no entanto, que não aceitará a atuação de nenhum tipo de grupo armado que não pertençam às forças oficiais. “Quem use armas em nome do movimento bolivariano vai ser preso, as armas da república estão com as Forças Armadas, eu assumo minha responsabilidade, onde haja indicações claras e as investigações conduzirem, que o poder judicial julgue e que condene”, afirmou.

O pronunciamento foi em discurso transmitido por rede nacional, durante uma reunião com ministros, na qual Maduro também disse estar disposto a receber dirigentes estudantis “legítimos das universidades” do país.