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retaliação

Brasileiro ligado a jornalista que denunciou espionagem dos EUA é retido em Londres

David Miranda ficou nove horas preso em aeroporto de Londres; Itamaraty classifica procedimento de 'injustificável'
por Opera Mundi publicado 18/08/2013 18h20, última modificação 19/08/2013 11h23
David Miranda ficou nove horas preso em aeroporto de Londres; Itamaraty classifica procedimento de 'injustificável'
glenn greenwald
david miranda greenwald

David Miranda (à esquerda) com o jornalista norte-americano

São Paulo - O companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald - responsável por expor os programas secretos dos EUA de interceptação de dados vazados pelo ex-técnico da agência de segurança americana (NSA) Edward Snowden - foi retido hoje (18) por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres.

Com base em uma lei antiterrorismo, as autoridades britânicas pararam o brasileiro David Miranda, de 28 anos, durante uma escala. Ele ia de Berlim para o Rio de Janeiro, onde vive com Greenwald. O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, divulgou nota em que classifica como "medida injustificável" a retenção do brasileiro.

De acordo com reportagem do Guardian, Miranda teve todos os equipamentos eletrônicos confiscados, dentre eles seu celular, câmera fotográfica e laptop. "Esse é um profundo ataque contra a liberdade de imprensa e o processo de coleta de notícias", afirmou Greenwald ao Guardian, jornal para o qual trabalha.

"Reter meu parceiro por nove horas, lhe negando um advogado, e então apreender boa parte de suas coisas, claramente pretende mandar uma mensagem de intimidação para aqueles que, como nós, estamos reportando sobre espionagem", diz. "As ações do Reino Unido representam uma grande ameaça a jornalistas em qualquer parte" do mundo.

Ainda de acordo com o repórter norte-americano, que vive há oito anos no Brasil, o episódio não irá lhe intimidar.

"A última coisa que irá é nos intimidar ou deter por fazer nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: só vai nos encorajar a continuar denunciando de forma agressiva", concluiu. Em maio, o Guardian publicou reportagem de Greenwald sobre a existência de uma ordem judicial secreta que permitia à NSA monitorar milhões de registros telefônicos nos EUA. A reportagem deu origem a toda a discussão sobre o monitoramento de comunicações pelos EUA.