Snowden pedirá asilo na Rússia até poder viajar para América Latina

Caso CIA

Sergei Ilnitsky/EFE
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A reunião entre Snowden e ativistas de direitos humanos em Moscou despertou boatos

Moscou – O ex-técnico da CIA Edward Snowden, requerido pela Justiça dos Estados Unidos, disse hoje (13) que deseja pedir asilo político na Rússia para ficar no país até poder voar para a América Latina, onde várias nações o ofereceram refúgio.

“Sim, pediu asilo na Rússia. Quer ficar aqui até poder voar para a América Latina”, revelou à Agência “Interfax” a vice-diretora da ONG Human Rights Watch, Tatiana Lokshina, que participa de reunião com Snowden, ao lado de outros ativistas dos direitos humanos, no aeroporto Sheremetyevo, em Moscou.

Tatiana contou que Snowden pediu ajuda aos ativistas para obter asilo político na Rússia. Snowden está preso no aeroporto de Moscou pois não possui documentos de viagem e poderia ser detido em qualquer parte do mundo pela campanha de perseguição realizada por Washington após o ex-técnico da CIA revelar uma rede de espionagem americana.

A representante da ONG participa com ativistas de direitos humanos e advogados da reunião convocada hoje pelo próprio Snowden na zona de trânsito do aeroporto de Moscou.  O ex-técnico da CIA “poderia ficar hipoteticamente na Rússia se desistir totalmente de qualquer atividade que prejudique os interesses de nossos sócios americanos e as relações” da Rússia com os Estados Unidos”, foi a reação perante o anúncio de Dmitri Peskov, porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin.

Peskov acrescentou, no entanto, que o Kremlin ainda não tem confirmação oficial de que o jovem americano tenha pedido asilo. “Obviamente, não podia permanecer por mais tempo nesta situação e tinha que atuar”, declarou minutos antes da reunião a russa Olga Kostina, jornalista e ativista dos direitos humanos.

Já chefe da Anistia Internacional (AI) na Rússia, Sergei Nikitin, classificou como inaceitável a possibilidade de extradição para os Estados Unidos. “Nenhum Estado tem o direito de entregar uma pessoa para outro país onde existe a ameaça de um tratamento cruel. Os Estados Unidos, em nossa opinião, são um desses países, onde a ameaça de um tratamento cruel, próximo da tortura, é real”, disse Nikitin horas antes de comparecer à reunião com Snowden e outros ativistas dos direitos humanos.

“Não se deve esquecer que as autoridades americanas já qualificaram Snowden como traidor, e já formaram uma opinião inequívoca a respeito dele antes de qualquer decisão dos tribunais”, ressaltou o chefe da AI na Rússia.

Nikitin reiterou que o jovem “não pode ser extraditado enquanto se está estudando sua solicitação de asilo”.