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Milhares protestam na Grécia em greve geral contra demissões

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por EFE publicado 16/07/2013 15h19, última modificação 16/07/2013 15h22
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Simela Pantzartzi/efe
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Manifestantes se concentram em frente ao Parlamento grego, em Atenas

Atenas – Milhares de pessoas se manifestaram hoje (16) no centro das cidades de Atenas e Salônica em uma greve geral contra as inúmeras demissões de funcionários, medida do governo do conservador Antonis Samaras juntamente com a troika em troca de um novo financiamento.

A greve, a quarta geral do ano e convocada pelas duas principais confederações sindicais da Grécia (Adedy, do setor público e GSEE, do privado), teve uma adesão desigual.

Segundo a Adedy, a greve teve taxa de adesão de 55% a 85% em ministérios, no setor de saúde pública e nas prefeituras, que estão paradas há vários dias.

O transporte público também parou, com exceção do metrô e do bonde, que estão proibidos de fazer greve desde fevereiro, e os controladores de voo aderiram a uma greve de meio turno, o que causou o cancelamento de 11 voos e atrasos em cerca de 30, todos domésticos.

A GSEE estima que a participação dos operários da indústria na greve seja entre 55% e 75%, mas não fornece dados de outros setores. O comércio, por outro lado, funcionou normalmente.

Entre 16 mil, segundo a polícia, e 50 mil pessoas, segundo os sindicatos, manifestaram-se em Atenas, e outras 7 mil, em Salônica, a segunda cidade do país. Nos dois casos metade dos manifestantes acudiu à convocação do Pame, sindicato ligado ao Partido Comunista da Grécia (KKE), e não sob a bandeira unitária da Adedy e da GSEE.

"A política de demissões em massa exigida pelo novo memorando é o início de um novo modelo de governo antidemocrático", denunciou a Adedy em comunicado.

Os manifestantes em Atenas foram em sua maioria funcionários municipais, policiais locais, professores e trabalhadores da saúde, setores mais afetados pelos cortes.

Kostas Pagonas e Andreas Stathópulos, dois membros do sindicato de professores Olme disseram à EFE que o governo acabará com 51 especializações de Formação Profissional, como enfermaria, artes gráficas, decorações e barbearia, e deixará 21 mil alunos "sem poder terminar seus estudos na educação pública" e "beneficiará assim a escola privada".

Cerca de 2,5 mil professores destas especialidades já começaram a ser demitidos, mesmo que a medida ainda não tenha sido aprovada pelo parlamento.

A Grécia concordou com a troika em demitir 4 mil funcionários antes do final do ano e colocar 25 mil no esquema de reserva laboral, recebendo parte de seu salário durante oito meses para então serem recolocados ou demitidos.

Dentro deste esquema, estarão os mais de 2 mil guardas escolares e os 3,5 mil policiais locais que existem na Grécia.

"Nos demitiram em meados de julho sem o aviso prévio que exige a lei. Nossa demissão é ilegal, temos contrato indefinido", denunciou Filippos Vassiliu, guarda escolar.

Vassiliu afirmou à EFE que seu salário tinha sido cortado de 1,3 mil euros (cerca de R$ 3,8 mil) para 700 (cerca de R$ 2 mil) no último ano e se perguntou o que fará agora sem trabalho, com três filhos e uma esposa deficiente.

A nova lei, que inclui o corte de funcionários, um novo código tributário e outras iniciativas de redução de gastos, começou a ser discutida hoje no parlamento em sessão plenária e será votada na noite de amanhã, embora não sejam esperadas muitas surpresas, já que o partido do governo controla 155 das 300 cadeiras.

As críticas dos sindicatos, que questionaram a legalidade de algumas medidas, se uniram às do conselho legal do parlamento, que apresentou dúvidas sobre a constitucionalidade de vários artigos.

Entre outras coisas, o conselho legal critica os poderes extraordinários que são dados ao Ministério de Reforma Administrativa para eliminar postos de trabalho dentro do setor público.

Além disso, na modificação do código tributário, denuncia como inconstitucional que não se estabeleça um mínimo não tributável abaixo do nível da pobreza.

O parecer desse conselho serve apenas para efeitos de consulta, embora os partidos políticos da oposição possam utilizá-lo posteriormente para apresentar recursos de inconstitucionalidade contra a lei.