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Mais de 30 milhões de mulheres ainda podem sofrer mutilação genital no mundo

Previsão para a próxima década consta de relatório do Unicef divulgado nesta segunda (22)
por EFE publicado 22/07/2013 18h18
Previsão para a próxima década consta de relatório do Unicef divulgado nesta segunda (22)

Washington – Mais de 125 milhões das mulheres e meninas do mundo foram submetidas à mutilação de seus órgãos genitais externos e 30 milhões de meninas correm o risco de sofrer a mesma violência na próxima década, advertiu o Fundo das Nações Unidas para a Infância hoje (22).

O Unicef apresentou em Washington seu relatório mais amplo sobre esta prática, tradicional, sobretudo na África e no Oriente Médio, intitulado "Mutilação Genital Feminina: um panorama estatístico e uma exploração da dinâmica de mudança".

"A mutilação é uma violação dos direitos à saúde, o bem-estar e a autodeterminação das meninas", afirmou a diretora-executiva do Unicef. Embora hoje em dia haja uma maioria de pessoas contra a ablação nos países onde a prática é comum e onde existem legislações que a proíbem, "milhões de meninas seguem em considerável perigo", adverte o relatório.

A mutilação ou ablação genital feminina foi praticamente abandonada por certos grupos ou países, mas esta entrincheirada em muitos outros, apesar dos perigos para a saúde que representa para as meninas e embora governos e ONGs se esforcem para convencer as comunidades a abandoná-las, diz a Unicef.

O estudo, que abrange 29 países da África e o Oriente Médio, na Somália, Guiné, Djibuti e Egito, identificou que a prática continua sendo "quase generalizada". Mais de nove em cada dez mulheres entre 15 e 49 anos foram vítimas da violência. Além disso, não se registra uma diminuição relevante da prática em países como o Chade, Gâmbia, Mali, Senegal, Sudão e Iêmen.

No entanto, as investigações nos 29 países do estudo mostram que, em mais da metade deles as meninas hoje têm menos probabilidades de ser mutiladas que suas mães e que a ablação cada vez tem menos respaldo popular "inclusive em países onde continua sendo muito tradicional".

"No Quênia e na Tanzânia, a probabilidade de uma menina entre 15 e 19 anos ter sido mutilada é três vezes menor que a das mulheres de entre 45 e 49 anos. A prevalência caiu a quase à metade entre as adolescentes de Benin, República Centro-africana, Iraque, Libéria e Nigéria", assinala o relatório.

Além disso, segundo os resultados da investigação, não somente as mulheres que são contrárias à mutilação genital: também um número significativo de meninos e homens se opõem. "Em três países, Chade, Guiné e Serra Leoa, mais homens que mulheres querem que a prática acabe", assinala Unicef.

Essa violência persistir é sinal de que há uma distância entre as opiniões pessoais das pessoas respeito à mutilação e o "sentido de obrigação social", "exacerbado pela falta de comunicação aberta sobre este tema sensível e íntimo".

O Unicef considera que, além das leis contra a ablação já existentes na maioria de países, são necessárias medidas complementares, políticas sociais que promovam uma mudança de mentalidade e "desafiar" a ideia errônea que "todos os demais" aprovam eliminar os órgãos femininos externos.

O fundo também destaca o papel da educação na promoção da mudança social e menciona o fato de que quanto mais alto o nível de instrução de uma mulher, menor é o risco que suas filhas sejam mutiladas e as estimula a trabalhar "com as tradições locais em vez de contra elas".

"O que fica claro deste relatório é que a legislação por si só não basta. O desafio atual é deixar que as mulheres e os homens falem alto e claro que querem que esta prática violenta acabe", disse Geeta Rao Gupta.

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