Governo turco reconhece legitimidade de protestos, mas condena violência

Em Istambul

EFE
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O quinto dia dos protestos começou com uma greve de 48 horas do principal sindicato de funcionários públicos

Ancara – O vice-primeiro-ministro da Turquia, Bulent Arinç, disse hoje (4) que os protestos contra a demolição de um parque em Istambul são “legítimos e justos”, mas condenou o uso da violência. Em entrevista coletiva concedida em Ancara após uma reunião com o presidente turco, Abdullah Gul, o número dois do governo islamita moderado reconheceu que “a violência exagerada da polícia no começo dos incidentes no parque provocou uma reação”.

“Estamos abertos a todas as reações mas não deve haver violência. A reação do povo no parque foi legítima e justa, mas esta reação legítima foi utilizada com abuso por grupos marginais ilegais”, afirmou o vice-primeiro-ministro turco.

Os violentos protestos que vêm ocorrendo na Turquia desde sexta-feira passada já deixaram duas pessoas mortas. Além disso, centenas ficaram feridas e foram detidas temporariamente durante os enfrentamentos com as forças da ordem. A violência começou quando a polícia tentou retirar à força milhares de manifestantes do parque Gezi, em Istambul, onde as autoridades planejam construir um centro comercial.

“Peço desculpas àqueles (manifestantes) com sensibilidade ambiental pela violência policial usada no começo. Mas não temos desculpas para os violentos”, disse Arinç. Por outro lado, o vice-primeiro-ministro, que atua também como porta-voz do governo, acusou a imprensa estrangeira de comparar “intencionalmente” o sucedido com a Primavera Árabe.

“Por que não o comparam com a ocupação de Wall Street? Como se comportou a polícia ali? Estas coisas se passaram na Espanha, Grécia, Reino Unido e Itália, onde a polícia atuou de forma similar”, criticou Arinç.

O vice-primeiro-ministro argumentou que a reações da imprensa estrangeira se devem ao mal-estar que sentem com o governo do Partido de Desenvolvimento e Justiça (AKP). “Os países estrangeiros fazem isso para debilitar o poder da Turquia e seu êxito econômico”, assegurou, seguindo a mesma tese defendida ontem pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

Arinç disse que muitos manifestantes “recebem ordens” através de plataformas como o Twitter nos Estados Unidos. “Eles são responsáveis disto. Através das redes sociais da internet se expandem mentiras, como a de que a polícia está usando gás laranja ou gás sarin”, concluiu Arinç.

O quinto dia dos protestos começou em calma, com uma greve de 48 horas do principal sindicato de funcionários públicos, que por enquanto não está afetando o dia a dia da população. No entanto, estão programadas novas manifestações contra o governo para esta tarde nas principais cidades do país.