Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2013 / 05 / OMC não acompanhou cenário econômico mundial, diz Azevêdo

Novo diretor-geral

OMC não acompanhou cenário econômico mundial, diz Azevêdo

Em audiência pública no Senado, o embaixador Roberto Azevêdo, primeiro brasileiro a dirigir o órgão, paralisia nas negociações coloca sistema multilateral em risco
por Redação RBA publicado 23/05/2013 13h51
Em audiência pública no Senado, o embaixador Roberto Azevêdo, primeiro brasileiro a dirigir o órgão, paralisia nas negociações coloca sistema multilateral em risco
Antonio Cruz/ABr
Roberto Azevêdo no Senado

Para embaixador Roberto Azevêdo, negociações bilaterais prejudicam economias menores

São Paulo – A Organização Mundial do Comércio (OMC) não acompanhou as mudanças no equilíbrio econômico mundial, o que coloca o sistema multilateral em risco. A avaliação é do embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, primeiro brasileiro eleito diretor-geral da entidade, que assume o cargo em 1º de setembro com a missão de quebrar o ciclo de negociações mal-sucedidas que prende a OMC já há 20 anos.

“O sistema está completamente paralisado, as negociações estão paralisadas. Desde a criação da OMC, em 1995, nenhuma negociação foi bem-sucedida, o que é situação preocupante”, afirmou em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE) na manhã de hoje (23). Segundo ele, é importante quebrar esse ciclo e começar a entregar resultados para os países membros. “É importante trazer o sistema para a realidade de hoje. Uma realidade [que, comparada a duas décadas,] evoluiu. O mundo mudou e a organização não se atualizou. A preocupação é que as negociações migrem para fora”.

Azevêdo se mostrou pessimista quando à negociação da Rodada Doha e justificou dizendo que a causa não é o grande número de países que participam da OMC, mas as mudanças no equilíbrio econômico mundial. Para ele, a busca da solução passa pela mudança do foco para o resultado possível ao invés do resultado perfeito. “Ainda que o possível não seja o desejável, o possível é um passo na direção correta do caminho que nós temos que trilhar na OMC”, afirmou.

O diplomata avalia que, se não houver empenho para fortalecer as negociações multilaterais, a tendência é que sejam firmados acordos bilaterais fora do órgão, preocupantes por provocarem desvantagens aos países de economias menores. “Isso vai dificultar as negociações internacionais, exatamente no caso dos países que têm economias menores, que raramente estão no centro dessas negociações”, destacou o brasileiro, eleito com apoio maciço das nações emergentes.

Vocação multilateral

Para o novo diretor-geral, o Brasil tem um caminho “longo de difícil” por conta da estagnação das negociações multilaterais na OMC. Para ele, as características do comércio brasileiro favorecem o país nas negociações internacionais. “O Brasil é hoje responsável por um comércio globalizado e pulverizado. Temos uma vocação para o comércio globalizado”, disse ele. “É a OMC que estabelece as regras para que sejam cada vez mais equilibradas em bases horizontais e equitativas, sem que o campo esteja desnivelado em favor de A, B ou C.”

Azevêdo lembrou a atuação brasileira na resolução de conflitos. “O Brasil tem atuado nos mecanismos de solução de controvérsia e o faz de maneira positiva. [A OMC] é uma organização que oferece muito ao Brasil. Nossa parceria oferece muito para continuar esse diálogo.”

O diplomata não considera um problema a posição atual do Brasil no comércio internacional como exportador de commodities, mas considera fundamental que isso não limite o potencial exportador do país. “Não vejo a menor vergonha de o Brasil ser um exportador de commodities e produtos agrícolas. Vergonha seria o contrário, algo que não se justificaria. Mas o Brasil tem capacidade de ser exportador em várias frentes”, disse o diplomata.

Responsável pelas negociações comerciais do país há cerca de 20 anos, o embaixador brasileiro cobrou uma estratégia voltada à competitividade no país. “Temos de olhar mais a competitividade, não apenas no setor industrial, mas também no agronegócio”, disse. “O Brasil não é um país importante não apenas porque é exportador, mas porque é também um importador.”

O embaixador brasileiro ressaltou que, ao assumir o cargo de diretor-geral em 1º de setembro, não representará mais o Brasil. Porém, bem-humorado, ele disse que não se esquecerá da sua nacionalidade. “Uma vez assumindo a direção-geral, eu deixo de ser o embaixador e representante permanente do Brasil, o que não significa que deixarei de ser brasileiro, vou continuar tomando minha caipirinha e jogando meu futebol, no fim de semana”, destacou.

Com informações de Agência Brasil e Agência Senado