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Maduro acusa Obama de planejar últimos atos de violência na Venezuela

Pós-eleições
por EFE publicado 05/05/2013 20h28, última modificação 05/05/2013 20h50
Pós-eleições
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Maduro afirma que Obama deveria ter reconhecido de imediato o resultado das eleições de abril

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, responsabilizou o presidente norte-americano, Barack Obama, pela violência "planejada" registrada na Venezuela nos últimos dias, antes de empreender sua recente viagem por México e Costa Rica. Maduro fez sua denúncia por meio de cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão, na qual seu ministro das Relações Exteriores, Elías Jaua, leu um comunicado de rejeição a declarações de Obama no México.

"Nossa visão é que o povo venezuelano deve escolher seus líderes em eleições legítimas", disse Obama em seu respaldo à oposição venezuelana, que impugnou perante o Supremo Tribunal de Justiça o pleito vencido por Maduro no último dia 14 de abril por uma estreita margem sobre o líder opositor Henrique Capriles.

Obama evitou, no entanto, responder se reconhece a legitimidade do presidente venezuelano e se limitou a insistir que há relatórios que provam que Maduro não observa princípios básicos de "direitos humanos, democracia, liberdade de imprensa e liberdade de reunião". "O hemisfério inteiro está vendo a violência, os protestos e os ataques à oposição", acrescentou Obama em entrevista oferecida no México, país que visitou na quinta-feira passada, e divulgada antes de sua posterior viagem à Costa Rica.

Maduro, por sua vez, declarou que foi "o contrário" e que, em cumprimento de planos cujo planejamento atribuiu a Obama, imediatamente após seu triunfo iniciou-se um plano opositor de ataque a instalações públicas e privadas, centros médicos e partidários, que causou a morte de nove pessoas e deixou pelo menos 70 feridos. "A falta de reconhecimento dos resultados eleitorais por parte do principal candidato opositor, assim como sua convocação ao ódio e à violência nas ruas, ocasionaram o assassinato político de nove compatriotas", reiterou a nota oficial.

O chefe de Estado convocou seus seguidores para "uma grande mobilização nas ruas" em resposta a Obama e instou os militares a realizar "assembleias" para analisar o que foi dito pelo governante americano. "Eu chamo ao povo / cidade (...), os chamo em cadeia / rede / emissora nacional: Vamos uma grande mobilização na rua, todo o povo / cidade, vamos, a mobilizar-nos em todos os capitais de municípios, de estados. À Venezuela se a respeita. Vamos com uma só consigna, alerta! alerta!", expressou Maduro.

"Não aceitemos, não deixemos que nos alucinem que é só mais uma declaração; não é só mais uma declaração. Ele (Obama) está dando seu beneplácito, a ordem à direita fascista para que ataque o povo da Venezuela", considerou o presidente venezuelano. No comunicado lido por Jaua se expressa ainda que "a Venezuela rejeita com toda a força de dignidade bolivariana" o dito por Obama e o acusa de arremeter "contra o governo legitimo venezuelano".

Além de repetir em vários parágrafos o dito por Maduro, o texto destaca que as declarações de Obama levam as já conflituosas relações bilaterais "a uma maior deterioração". A nota ainda reitera que as afirmações do presidente americano "encorajam o surgimento de um Pinochet na Venezuela" e, por isso, alerta "a todos os governos independentes do mundo, aos povos e suas organizações políticas e sociais sobre a intenção do governo americano de provocar a chamada 'guerra de cachorros' na Venezuela para justificar uma intervenção imperialista".