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Comércio

Embaixador reafirma que eleição para OMC é reconhecimento da relevância do Brasil

Roberto Azevêdo afirma que não funcionará como árbitro a favor do país e vê tendência de redução do protecionismo
por Redação RBA publicado 22/05/2013 12h36
Roberto Azevêdo afirma que não funcionará como árbitro a favor do país e vê tendência de redução do protecionismo
Lúcio Bernardo Jr. Agência Câmara
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Azevêdo deixou claro que não pode haver ingerência política em temas arbitrados pela OMC

Brasília – Eleito diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, de 55 anos, reafirmou hoje (22) que sua vitória é um reconhecimento da relevância do Brasil no cenário internacional. Segundo Azevêdo, a eleição para a OMC é a demonstração externa de que há quadros brasileiros para o preenchimentos de funções de comando em órgãos internacionais.

“Há um reconhecimento explícito de que o Brasil é um país que chegou para ficar nos mecanismos de governança global, temos participação ativa, com capacidade e competência, para a liderança desses quadros, isso não é simples e é reconhecido por toda a imprensa local”, disse o embaixador,  que participa de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. “Nós todos devemos nos orgulhar dessa campanha. É um feito de país. Estou aqui para oferecer meus agradecimentos. Não vou aqui neste momento apresentar planos de ação.”

Azevêdo venceu, no último dia 7, a disputa com o mexicano Herminio Blanco. O processo eleitoral na OMC envolve longa negociação. Inicialmente, foram nove candidatos na disputa e, ao final, ficaram dois. Ao ser perguntado se pretende tentar a reeleição para mais quatro anos de mandato, o embaixador sorriu e respondeu: “Ainda não pensei em reeleição. Ainda estamos longe disso”.

Ele reiterou também que, se houver algum processo envolvendo o Brasil no órgão, ele não atuará como árbitro. Bem-humorado, Azevêdo disse que assistirá ao processo “na arquibancada”, mas como um “torcedor”. Ele ressaltou que os processos são conduzidos por árbitros e não pode haver ingerência política. “O diretor-geral não tem o papel de arbitrar. Se o Brasil estiver em um contencioso, que poderá resultar em sanções, eu já digo desde já que não terei papel algum. Estarei apenas na arquibancada, talvez torcendo, mas não posso entrar em campo.”

Azevêdo explicou que a OMC arbitra as diferenças entre os países, processo que é feito por um grupo de peritos, os chamados árbitros. Em geral, são três árbitros. “Não há ingerência do diretor-geral, o resultado dos árbitros pode levar ao órgão de apelação. Não há ingerências políticas. Se tem, está errado”, destacou ele.

O embaixador, que lida há 20 anos com questões referentes ao comércio internacional, representando o Brasil, lembrou que o governo brasileiro já se envolveu em vários contenciosos em defesa de produtos, como frango, açúcar e algodão. Ele lembrou que esses processos “são normais e naturais”. Azevêdo enfatizou que, ao assumir o cargo de diretor-geral da OMC, suas origens não serão esquecidas. “Não [vou deixar de ser brasileiro], vou continuar tomando minha caipirinha. Minha cultura e minha formação é brasileira”, disse.

Azevêdo ressaltou que há uma tendência lenta de redução do protecionismo no mundo. Segundo ele, é preciso observar que várias economias mundiais enfrentam momento de sensibilidade, como a europeia e a norte-americana, que sofrem de maneira intensa os impactos da crise econômica internacional.

“Acredito que há uma tendência de reduzir o protecionismo, o que deve ser lento. Mas claro que as circunstâncias internacionais influenciam [o cenário]. As grandes economias vivem um momento de grande sensibilidade, mas eu acredito que a tendência é diminuir [o protecionismo]”, disse o embaixador.

Ele lembrou que atualmente a busca é pela competitividade. “O caminho é para obter a competitividade. Não acredito em modelos fechados, que olham para o mercado interno, não acredito que sejam modelos sustentáveis. [É preciso] buscar modelos para aumentar a competitividade”, ressaltou.

Ao ser perguntado sobre as influências que pode ter sobre as questões tratadas na OMC, uma vez que condena o protecionismo e defende a liberalização do comércio, o diplomata reiterou que ele não deve tomar partido nas discussões. “O fato de ser um brasileiro não significa que o Brasil será beneficiado ou prejudicado”, ressaltou Azevêdo, que toma posse como diretor-geral em 1º de setembro, substituindo o francês Pascal Lamy.

O brasileiro toma posse em 1º de setembro, em Genebra, na Suíça, onde fica a sede da OMC, que é formada por 159 países. Em entrevistas, Azevêdo ressalta que passa a assumir a função como diretor-geral e não mais como representante do Brasil no órgão.

Com informações da Agência Brasil.