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Unasul se reúne em Lima para ratificar legalidade das eleições venezuelanas

A reunião contará com presença de chefes de Estado sul-americanos que, depois, devem se encaminhar a Caracas para a posse de Nicolás Maduro
por Redação da RBA publicado , última modificação 18/04/2013 15h22
A reunião contará com presença de chefes de Estado sul-americanos que, depois, devem se encaminhar a Caracas para a posse de Nicolás Maduro

São Paulo – Os chefes de governo dos países membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) reúnem-se hoje (18) na capital do Peru, Lima, para discutir conjuntamente a situação da Venezuela. O encontro de emergência foi convocado pelo presidente Ollanta Humala.

Até agora, as presidentas Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil), José Mujica (Uruguai), Juan Manuel Santos (Colômbia), Evo Morales (Bolívia) e Sebastián Piñera (Chile) já confirmaram presença, de acordo com o diário Perú21. O governante paraguaio, Federico Franco, não está convidado, pois seu país está suspenso da Unasul desde o impeachment-relâmpago sofrido por Fernando Lugo, em junho passado. Um dos principais aliados regionais da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, está em viagem pela Europa e ainda não confirmou presença.

No último domingo (14), os venezuelanos foram às urnas escolher o sucessor do presidente Hugo Chávez, morto há seis semanas. O herdeiro político do chavismo, Nicolás Maduro, foi considerado vencedor pelas autoridades eleitorais do país. No entanto, a pequena vantagem de 260 mil votos que obteve sobre o adversário, Henrique Capriles, fez com que a oposição denunciasse fraude e convocasse protestos populares. Até agora, sete pessoas morreram nos enfrentamentos com as forças de ordem.

Capriles exige que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) realize uma auditoria nas urnas eletrônicas e promova uma recontagem dos votos. Na Venezuela, além de sufragar digitalmente, os eleitores recebem uma papeleta com seu voto para depositar em urnas tradicionais. Assim, existe a possibilidade de checagem física – e não apenas eletrônica – da vontade popular.

De acordo com o jornal Página12, os presidentes sul-americanos devem expressar conjuntamente sua certeza de que o processo eleitoral venezuelano ocorreu dentro da legalidade. “Os observadores que enviamos ao país ratificaram a honestidade do processo eleitoral”, afirmou o chanceler argentino Héctor Timerman. “Desde que Chávez venceu sua primeira eleição, há 14 anos, se realizaram 18 processos eleitorais na Venezuela. É o país sul-americano que mais realizou eleições e que mais foi observado por organismos internacionais.” A missão eleitoral da Unasul informou na segunda-feira (15), um dia depois do pleito, que testemunhou “um amplo exercício de cidadania e liberdade por parte do povo venezuelano”.

Desde sua criação, o bloco tem servido como um fórum regional de resolução de conflitos. A mais recente mobilização do grupo ocorreu no Paraguai, após a destituição parlamentar de Lugo. Antes que o Congresso decidisse pelo impeachment do presidente, os ministros de Relações Exteriores da Unasul se dirigiram a Assunção para informar-se sobre a situação e acompanhar o processo. Em 2009, os presidentes sul-americanos realizaram uma reunião conjunta em Bariloche, na Argentina, para discutir com o então presidente colombiano Álvaro Uribe garantias sobre a instalação de sete bases militares norte-americanas no país.

O bloco ainda se mobilizou à capital equatoriana, Quito, em 2010, após uma rebelião policial quase ter se transformado no magnicídio de Rafael Correa. Quando o presidente boliviano Evo Morales sofreu tentativas de desestabilização, em 2008, a Unasul igualmente fechou uma posição conjunta a favor do governante.

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