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Capriles não assina documento de órgão eleitoral para reconhecimento de resultado de domingo

Candidato da oposição entregou outro documento, diferente do elaborado pelo CNE. 'Não sou o mesmo de 7 de outubro', disse
por Luciana Taddeo, do OperaMundi publicado , última modificação 09/04/2013 20h04
Candidato da oposição entregou outro documento, diferente do elaborado pelo CNE. 'Não sou o mesmo de 7 de outubro', disse

Caracas – O candidato à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, assinou hoje (9) um documento próprio no qual se compromete a respeitar a “vontade do povo” na eleição do próximo domingo (14). Nesta segunda, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país propôs a assinatura de um acordo, a pedido da campanha de Nicolás Maduro, para que os candidatos reconheçam o resultado do pleito e a autoridade do órgão como árbitro eleitoral.

Capriles, que se autodenominou como “próximo presidente da Venezuela”, manifestou “decisão indeclinável de cumprir com a Constituição e com as leis da República em tudo o que implica este processo eleitoral”. O documento, no entanto, não deixa claro se o candidato reconhecerá o resultado das eleições, como proposto no acordo do CNE.

“Não sou o mesmo de 7 de outubro”, afirmou Capriles em referência à data das últimas eleições do país, na qual foi derrotado pelo falecido presidente Hugo Chávez. “Eu tolerei muito abuso. Vou defender os votos de toda a Venezuela, se acham que somos idiotas, ficaram na vontade”, complementou, durante um discurso realizado na cidade de Cumaná, no Estado de Sucre, no qual leu o documento.

O candidato do bloco opositor Mesa de Unidade Democrática (MUD) disse ainda às autoridades do CNE que “não tenho que ir assinar nada aí, eu assino aqui na frente do povo venezuelano”. “Frente à negligência do Conselho Nacional Eleitoral, reitero às suas reitoras que são obrigadas a cumprir com os mandatos da Constituição e leis que regulam o âmbito eleitoral”, expressa o documento, que também pede uma resposta “oportuna, à brevidade” acerca de uma centena de denúncias que a MUD remeteu ao órgão.

“Se desejam respeito como árbitro, devem atuar com o equilíbrio e ponderação devida que lhes impõe sua investidura e não como até agora, como braço executor do governo”, manifesta o texto o assinado por Capriles, que também exigiu ao presidente interino da Venezuela e candidato pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Nicolás Maduro, que “desista de usar os recursos do Estado e meios públicos para sua candidatura”.

No discurso, com o documento nas mãos, Capriles expressou que já demonstrou reconhecimento aos resultados eleitorais quando perdeu para Chávez nos último comício presidencial. “Quando não consegui os votos, saí e disse para o país [que] chegamos pertinho, mas não conseguimos. (...) Apesar dos recursos, apesar de tudo isso, quando chegou o momento do resultado, eu saí e disse à Venezuela (...) agradeço infinitamente seu acompanhamento e reconhecemos", afirmou.

Reação

Para o governo, no entanto, a negativa de Capriles em assinar o documento disponibilizado pelo CNE indica que o candidato opositor se prepara para não reconhecer o escrutínio dos votos da eleição. O chefe da campanha de Maduro, Jorge Rodríguez, afirmou que a MUD “não vai reconhecer” os resultados de 14 de abril. “Assinem e sejam dignos, sejam valentes, respeitem o resultado”, pediu o dirigente.

Rodríguez ressaltou ainda que foi o próprio CNE quem reconheceu a vitória de Capriles como governador de um dos principais Estados do país, Miranda, em dezembro do ano passado. De acordo com ele, situações “irregulares” que possam surgir no país serão responsabilidade da oposição, acusada pelo governo de infiltrar mercenários salvadorenhos na Venezuela para tumultuar as eleições.

O presidente da Assembleia Nacional e membro do comando de campanha chavista, Diosdado Cabello, também sublinhou que a iniciativa de Capriles visa preparar terreno para o desconhecimento das eleições. “O fascismo do Primeiro Justila (partido de Capriles) e de seu candidato bobo (...) novamente protestam, não assinam o documento do CNE, querem violênncia”, escreveu em sua conta no Twitter