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Uruguai e Argentina firmam acordo para intercâmbio de informações sobre ditadura

"Operação Condor ao avesso", memorando ajudará a elucidar graves violações aos direitos humanos cometidas pelos regimes militares uruguai e argentino
por Redação da RBA publicado , última modificação 07/12/2012 14h24
"Operação Condor ao avesso", memorando ajudará a elucidar graves violações aos direitos humanos cometidas pelos regimes militares uruguai e argentino

Manifestação em Buenos Aires exige investigações sobre desaparecidos durante regime militar (governo da Argentina/Arquivo)

São Paulo – Os ministros de Relações Exteriores de Argentina e Uruguai firmaram ontem (6), em Brasília, durante a Cúpula do Mercosul, um acordo para intercambiar documentos que ajudem a esclarecer "graves violações de direitos humanos" praticadas por agentes do Estado argentino e uruguaio durante as ditaduras que ambos países viveram nos anos 1970 e 1980.

"Com o memorando, tentaremos procurar em nossos arquivos dados que possam oferecer informações sobre o que aconteceu com as vítimas uruguaias durante a ditadura militar argentina", avaliou o representante de Buenos Aires, Hector Timerman. "Assim, aprofundaremos a busca pela verdade, memória e justiça em ambos países. Juntos fomos vítimas e juntos estamos procurando uma maneira de reparar e fazer justiça a quem foi sequestrado, assassinado ou torturado."

O documento afirma que as autoridades de Buenos Aires e Montevidéu "prestarão assistência e cooperação mútua mediante o intercâmbio de documentação relevante para a investigação e o esclarecimento das graves violações" cometidas pelas ditaduras militares uruguaia (1973-1985) e argentina (1976-1983). O propósito autodeclarado do acordo é contribuir com a "reconstrução histórica da memória, verdade e justiça".

"É uma Operação Condor ao avesso", avaliou o chanceler uruguaio, Luís Almagro, em referência ao acordo de cooperação firmado pelos governos militares sul-americanos em 1975, no Chile, para intercambiar informações e presos políticos. "Há dois anos começamos a negociar com os demais países do Mercosul, e também com Chile e Bolívia, para estebelecer um intercâmbio de informação e conhecimento, cruzando os dados que possuímos."

Com informações das presidências de Argentina e Uruguai