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Unasul decide esperar eleições para reintegrar Paraguai, e governo de Franco reclama

por Redação da RBA publicado , última modificação 01/12/2012 09h02

O presidente do Peru, Ollanta Humala, leu o comunicado indicando que a suspensão é feita em "defesa da democracia" (Foto: Presidência Peru)

São Paulo – A União de Nações Sul-americanas (Unasul) decidiu manter a suspensão do Paraguai, definida depois que o presidente constitucional Fernando Lugo sofreu um impeachment-relâmpago, em junho deste ano. “Esperamos que as eleições de 2013 sirvam para sua readmissão”, afirmou o presidente pro-tempore do bloco de nações, o peruano Ollanta Humala, que organizou em Lima a 6ª Cúpula dos Países da Unasul.

A posição divulgada na sexta-feira (30) foi uma reafirmação da decisão tomada anteriormente na reunião organizada pela Argentina. “Seguimos fazendo um acompanhamento do caso do Paraguai. Tivemos um intercâmbio de informações e esperamos que o processo eleitoral de abrirl de 2013 sirva para sua reincorporação à Unasul, com o que reafirmamos a defesa coletiva da democracia e de suas instituições”, acrescentou Humala, lendo o documento conjunto fechado pelos países da região. 

A posição da Unasul foi incluída na Declaração Final da Sexta Reunião de Chefes de Estado ou presidentes do bloco, que concordou, entre outras coisas, com um plano de interligação rodoviária na região no valor de US$ 17 bilhões que serão auditados no prazo máximo de 10 anos. Participaram da reunião em Lima apenas os presidentes de Colômbia, Equador, Chile, Uruguai, Suriname e Guiana, dos 11 países que integram o grupo regional, sem considerar o Paraguai.  "O que a Unasul poderia fazer é analisar a possibilidade de participar com sua comissão eleitoral no processo eleitoral. Mas não vai reintegrá-lo até depois (do pleito)", afirmou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.  

Na véspera, os chanceleres do bloco regional ouviram o relato do coordenador do Grupo de Alto Nivel da Unasul, o peruano Salomon Lerner Ghitis, que esteve no Paraguai na semana passada, para averiguar o andamento do processo eleitoral.  Eles decidiram manter a suspensão do Paraguai até as eleições presidenciais (previstas para 21 de abril de 2013), que serão acompanhadas por uma missão da Unasul.

“Os chefes de Estado homologaram hoje [sexta-feira] a decisão dos chanceleres de estabelecer que a Unasul acompanhará este processo, para que haja uma plena reincorporação do Paraguai a partir de uma constatação de que foi reestabelecida a plena vigência da democracia no Paraguai”, disse em entrevista o chanceler Antonio Patriota, ao final da reunião de cúpula. Segundo ele, a situação do Paraguai será “reexaminada a partir das eleições”.

A decisão foi criticada pelo governo de Federico Franco, que era vice de Lugo. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores classificou a decisão como uma “perseguição sistemática” do bloco regional e anunciou que iniciará uma campanha para torná-la pública, mobilizando todas as suas embaixadas.

“A decisão da Unasul não causou surpresa alguma ao governo do Paraguai, ainda mais porque foi anunciada previamente pelo assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, constituído em porta-voz ad hoc da Unasul, que declarou, antes de escutar o relato do coordenador de seu próprio Grupo de Alto Nível, que a Unasul não vai dar marcha atrás na suspensão”, diz o comunicado paraguaio.

Com informações da Reuters e da Agência Brasil.