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Oposição, na Argentina e no Brasil, não consegue agradar e encontrar um líder

Sondagens mostram dificuldade de engrenar um personagem que mostre um discurso alternativo ao dos governos de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 02/12/2012 09h58
Sondagens mostram dificuldade de engrenar um personagem que mostre um discurso alternativo ao dos governos de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner

Macri reuniu-se em 2008 com Serra e Gilberto Kassab. Terá ouvido os conselhos do tucano, derrotado em 2010 e em 2012? (Foto: Eduardo Knapp. Folhapress)

São Paulo – Dados divulgados hoje (2) pelo jornal Clarín, de Buenos Aires, mostram que a oposição ao governo de Cristina Fernández de Kirchner continua com dificuldades de encontrar um líder capaz de galgar a condição de verdadeiro adversário da presidenta. 65,2% dos entrevistados pela consultoria Management & Fit dizem discordar da maneira como atuam os opositores, um dado que casa com a dificuldade encontrada por aqueles que estão contra o governo de Dilma Rousseff no Brasil.

Dos dois lados da fronteira, os opositores não parecem conseguir superar o histórico de governos com alta popularidade e chancelados por recentes eleições. Os momentos, porém, são sumamente diferentes. Enquanto Dilma mantém aprovação recorde, Cristina viu a aceitação despencar de outubro do ano passado, quando foi reeleita com uma das maiores margens de vantagem da história argentina, para cá.  

De acordo com a Management & Fit, 62,9% dizem desaprovar as atitudes da presidenta, 24 pontos a mais que em abril. 30,6% dizem aprovar a gestão da Casa Rosada, ao passo que 6,5% não souberam responder. 

Mas a oposição continua com a mesma dificuldade de 2011, quando não conseguia encontrar um discurso verdadeiramente alternativo à atual gestão. Se a aprovação de Cristina de lá para cá caiu, fruto de medidas econômicas e de campanha contrária a algumas políticas sociais, não se pode dizer que os prováveis adversários ao kirchnerismo em 2015 tenham captado o momento.

Apenas 29,7% dizem nutrir boa imagem do governador de Córdoba, José de la Sota. 29,4% sentem o mesmo em relação ao segundo colocado das eleições do ano passado, o socialista Hermes Binner. 28,1% demonstram apreço por Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín e um dos poucos quadros de alguma expressão da União Cívica Radical (UCR), antiga adversária do peronismo. O chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Maurício Macri, potencial oponente em 2015, chega a 27% de imagem positiva.

Curioso notar que o maior patamar é atingido pelo governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, com 37,1%. Embora tenha declarado recentemente a intenção de disputar a presidência, Scioli é do Partido Justicialista, o mesmo de Cristina, e não se sabe o quanto estará disposto a se afastar do governo federal na tentativa de viabilizar seu nome, apesar de atritos recentes.

Quadro brasileiro

A pesquisa argentina suscita comparações com uma sondagem divulgada há uma semana pelo Ibope. Na pesquisa estimulada sobre a disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, Dilma tem 58% das intenções de voto, chegando a 64% no Nordeste. Lançado no dia seguinte à derrota de José Serra (PSDB) em 2010 ao pleito presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem apenas 9% da preferência do eleitorado, com pico de 16% no Sudeste. Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco que tem sido encorajado por parte da mídia tradicional a lançar-se à contenda, tem 3%, e a ex-senadora Marina Silva (sem partido), terceira colocada em 2010, chega a 11%. 

Na sondagem espontânea, todos eles são superados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 19%, contra 4% de Serra, 3% de Aécio e 2% de Marina Silva – neste cenário, Dilma tem 26%. Detalhe é que Lula já disse algumas vezes que não pretende disputar o Planalto em 2014. 

No caso da Argentina, a oposição tem mais tempo para testar o discurso contra um adversário mais desgastado. Resta saber se conseguirão encontrar o argumento certo para bater o kirchnerismo. No Brasil, pesam a forte aprovação de Dilma e o cenário mais favorável, apesar de uma economia com baixo crescimento este ano.