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Israel rejeita oficialmente criação de Estado palestino e defende construção de novas colônias

Para premiê Netanyahu, país tem o direito de reivindicar os territórios em disputa 'na Terra de Israel'
por do OperaMundi publicado , última modificação 02/12/2012 12h03
Para premiê Netanyahu, país tem o direito de reivindicar os territórios em disputa 'na Terra de Israel'

O Conselho de Ministros de Israel aprovou hoje (02), por unanimidade, uma resolução oficial que rejeita o reconhecimento da Palestina pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Estado observador não-membro. O órgão, presidido pelo primeiro-ministro israelense, o conservador Benjamin Netanyahu, declarou que o estado israelense tem o direito de reivindicar os territórios em disputa “na Terra de Israel”.

As Nações Unidas aprovaram a mudança de status dos palestinos por 138 votos a favor e nove contra ocorrida na Assembleia Geral da entidade na última quinta-feira (29/11).

Netanyahu declarou que Israel continuará construindo "em Jerusalém e em qualquer lugar que estiver dentro do mapa de interesse estratégico de Israel". "Rejeitamos a resolução 67/191 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 29 de novembro de 2012", diz o artigo 1º do texto aprovado de forma unânime pelos ministros do governo israelense.

Na reunião, os ministros israelenses defenderam "o direito natural, histórico e legal do povo judeu à sua terra e a sua capital eterna, Jerusalém [que só obteve essa condição pela Constituição israelense em 1981]". "O Estado de Israel, como Estado do povo judeu, tem o direito de reivindicar os territórios em disputa na Terra de Israel", acrescenta o texto.

Os ministros israelenses resolveram rejeitar tanto o conteúdo geral da resolução internacional como suas possíveis consequências legais e políticas, entre elas a de que possa servir de marco para futuras negociações de paz. 

A ONU reconheceu ao povo palestino o direito à autodeterminação e à independência "nas fronteiras de 1967", uma formulação que o governo de Netanyahu considerou inválida. "A resolução da Assembleia (...) não concede nenhum direito (aos palestinos) na Terra de Israel, nem os tira do Estado de Israel e do povo judeu", diz o ponto 3.

Em seu habitual pronunciamento ao inaugurar a sessão semanal do governo, Netanyahu insistiu nas ideias que apresentou na última semana - de que os palestinos cometeram uma "flagrante violação" dos Acordos de Oslo ao comparecerem à ONU na busca de reconhecimento, e afirmou que não será criado um Estado palestino "sem um acordo que garanta a segurança dos israelenses". 

Na sexta-feira, em uma primeira reação à votação na ONU, Israel aprovou a construção de 3 mil novas casas em territórios ocupados desde 1967 na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A declaração israelense, que tem a validade de qualquer outra decisão do governo, aconteceu enquanto milhares de palestinos esperavam em Ramallah o presidente Mahmoud Abbas, que hoje voltou à região recebido pelo entusiasmo de seu povo.

Israel ainda anunciou que não repassará, neste mês, os impostos coletados em nome da ANP. "Eu não penso em transferir dinheiro neste mês. Vou usá-lo para pagar pelas dívidas que a ANP contraiu com a empresa de eletricidade", disse o ministro das Finanças de Israel, Yuval Steinitz.

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