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Soldado dos EUA Bradley Manning alega culpa parcial no caso do WikiLeaks

por do Sul21 publicado , última modificação 09/11/2012 08h41

Bradley Manning, o soldado estadunidense que pode ser sentenciado à prisão perpétua pelo vazamento de centenas de informações estatais secretas para o WikiLeaks, indicou publicamente que se responsabiliza parcialmente pela transmissão de algumas informações ao site.

O advogado da defesa, David Coombs, anunciou em um audiência previa ao julgamento militar a intenção do soldado de admitir parcialmente a culpa por algumas das acusações contra ele feitas pelo governo dos Estados Unidos. Esta é a primeira vez que o agente de inteligência afirmou publicamente ter participado de alguma forma no vazamento de arquivos confidenciais de seu país.

A declaração é tecnicamente definida como “admissão de culpa com exceções e substituições”. Ao optar por esta via jurídica, Manning não está assumindo culpa por nenhuma das 22 acusações contra ele, nem tentando uma barganha por isso, mas pendido à Corte para julgar se o seu pedido de culpa parcial é válido/aplicável no/ao processo. O advogado delimitou a proposta em um pronunciamento postado em seu site após a audiência.

Mesmo que o juiz aceite o pedido de Manning, os promotores militares ainda podem imputar-lhe todas as 22 acusações. Caso isso ocorra, um julgamento completo seguirá no próximo ano. Neste caso, Manning continuará encarando a mais grave das acusações que recaem sobre ele, de “ajuda ao inimigo”, cuja pena máxima é prisão perpétua sob custódia militar, sem chance de apelação.

O início do julgamento está marcado para o dia 4 de fevereiro, e sua duração prevista é de seis semanas. Esta semana, o acusado anunciou sua decisão de enfrentar o julgamento de um juiz apenas, sem participação de júri.

O que Manning admite ainda não está totalmente claro. Poderia ser a responsabilidade por parte dos documentos entregues ao WikiLeaks, mas não todos. Ou de alguma forma de transferência eletrônica de alguns dos dados, não todos.

Coombs, o advogado, em nenhum momento alegou que Manning não tivesse algum tipo de ligação com o site criado por Julian Assange. Ao invés diso, ele concentrou seus esforços em apontar inconsistências nas acusações do governo e expor a falta de cuidados oferecidos ao soldado por seus superiores enquanto ele trabalhava como agente de inteligência em uma base de operações táticas nos arredores de Bagdá.