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Sob pressão, Cristina Kirchner pede que argentinos não entreguem os pontos

Presidenta afirma que 'extraordinário' clima de liberdade favorece a cultura do país e defende cumprimento da Lei de Meios, que se aproxima do Dia D
por Redação da RBA publicado , última modificação 23/11/2012 19h05
Presidenta afirma que 'extraordinário' clima de liberdade favorece a cultura do país e defende cumprimento da Lei de Meios, que se aproxima do Dia D

Cristina considera que seu governo foi o único que teve a "valentia" de enfrentar os meios de comunicação (Foto: Casa Rosada)

São Paulo – Sob pressões internas e externas, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pediu hoje (23) à população que não entregue os pontos. Em discurso na cidade litorânea de Mar Del Plata, ela afirmou que “se vocês não capitularem, eu tampouco vou capitular”. A afirmação foi feita após elencar uma série de realizações dos mandatos dela e do marido, Néstor Kirchner, morto em 2010. “Isso é o que me faz feliz porque, em definitivo, estão sendo cumpridos os sonhos de milhões de argentinos.”

A presidenta aproveitou a abertura de um encontro de comunicação para defender a Lei de Meios, que se aproxima de sua data decisiva dois anos após ser aprovada e sancionada e que figura como um dos motivos para a recente queda na aprovação de seu governo, contestado pelos maiores grupos midiáticos. Vence em 7 de dezembro uma cláusula judicial que obrigará o Grupo Clarín, maior conglomerado de rádio e TV do país, a livrar-se de parte de suas emissoras, uma medida anticoncentração prevista na legislação formulada pela gestão de Cristina.

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“O único que nós fizemos foi colocar o ombro do Estado para que esta sociedade pudesse levar adiante seus sonhos, suas ilusões e seus projetos através da Lei de Meios Audiovisuais”, afirmou, acrescentando que o país vive um momento excelente de produção cultural graças ao “extraordinário clima de liberdade e inclusão social” registrado. “Quero dizê-los que isso é o melhor que podemos oferecer à nossa sociedade: um clima de liberdade, de inclusão social, onde cada um, cada uma possa dizer o que pensa e o que sente. Mas não basta que um governo diga que cada um pode dizer o que quer e o que pode, porque isso disseram montões, mas fomos poucos os que tivemos a valentia de criar os instrumentos para que esse poder falar não fosse somente um discurso, mas também uma realidade.”

Decisão judicial

Cristina não comentou a decisão da Justiça de Nova York que obriga a Argentina a pagar US$ 1,3 bilhão a fundos que processam o país. Na quarta-feira (21), o juiz Thomas Griesa decidiu que se deve tratar igualmente os credores que não aceitaram renegociar a dívida externa em 2001, quando, frente ao quadro de quebra, o presidente Adolfo Rodríguez Saá declarou que não teria como arcar com os compromissos internacionais envolvendo quase US$ 100 bilhões. Para o magistrado, não há diferença entre aqueles que se recusaram a dialogar e os que aceitaram redefinir os termos dos títulos. 

O ministro do Interior e Transporte, Florencio Randazzo, comentou esta tarde a questão afirmando que “aos fundos não vamos pagar com o sacrifício do povo argentino”. Para Randazzo, o governo federal já fez muito pelos credores externos durante o processo de renegociação da dívida, entre 2005 e 2010, e aqueles que se recusaram a fazê-lo não devem ter direitos agora. “Não nos vamos deixar extorquir de nenhuma maneira.”

Na véspera, o ministro da Economia, Hernán Lorenzino, disse que se trata de uma questão de soberania. “Estamos presenciando um caso de colonialismo judicial: alguém de um tribunal de um país importantes toma decisões que vão por cima das leis e das instituições, não só da Argentina, mas de outros países. Algo que o sistema financeiro internacional não deveria aceitar”, declarou. “A única coisa que faltou a Grieza [o juiz] é ordenar que nos enviem a Quinta Frota”, ironizou, em referência às forças militares dos Estados Unidos.