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Presidente do Egito visita juízes da Suprema Corte para detalhar governo por decreto

Ministro da Justiça tenta mediar greve de magistrados do Egito, mas admite ter reservas quanto aos poderes de Mohamed Mursi
por Fillipe Mauro, do Opera Mundi publicado , última modificação 26/11/2012 14h12
Ministro da Justiça tenta mediar greve de magistrados do Egito, mas admite ter reservas quanto aos poderes de Mohamed Mursi

São Paulo – Na tentativa de conter os avanços de protestos da oposição contra seu governo, o presidente do Egito, Mohammed Mursi, decidiu se reunir com juízes da Suprema Corte do país e esclarecer os detalhes do decreto que o autoriza a governar com poderes ilimitados.

A decisão surge logo após o anúncio de que magistrados egípcios entraram em greve como forma de protesto contra o governo. A Corte Suprema de Justiça, instância máxima do judiciário do país, se diz contrária à mobilização e argumenta que esse tipo de medida só é aceitável “em questões de soberania”. Os juízes foram convocados a retornar a seus postos de trabalho.

Embora admita que tenha “reservas” quanto à decisão do presidente Mursi, o ministro da Justiça, Ahmed Mekky, aceitou mediar as negociações com os juízes e se uniu aos esforços da Corte Suprema.

Juízes e membros da oposição exigem que a Assembleia Constituinte seja dissolvida o mais rápido possível. No entanto, o governo Mursi estabeleceu um decreto que impede a adoção deste procedimento.

Ontem (25) Mursi alegou que não governaria por decreto por tempo indeterminado e que, portanto, sua intenção não era concentrar poderes. Ele também garantiu que está “comprometido a buscar o consenso com outros partidos”.

O anúncio de que nem mesmo o Judiciário teria jurisdição para revogar suas decisões foi anunciado na última terça-feira (20) e fez com que uma onda de violentos protestos eclodisse em meio aos principais centros urbanos.

O mercado financeiro reagiu à instabilidade institucional e a Bolsa de Valores do Egito sofreu uma queda de 9%. Diretórios regionais do Partido Liberdade e Justiça, braço da Irmandade Muçulmana no país, chegaram as ser incendiados.

Diversas lideranças políticas da oposição, entre eles o Nobel da paz e ex-candidato à Presidência Mohamed el Baradei, se recusaram a dialogar com Mursi antes da revogação de seus poderes irrestritos. Neste domingo, confrontos entre manifestantes e policiais provocaram a morte de um adolescente e deixaram mais de 60 pessoas feridas.