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Presidente do Egito é chamado de 'faraó' por buscar novos poderes

por Edmund Blair e Marwa Awad, da Reuters publicado 23/11/2012 13h54, última modificação 23/11/2012 14h04

Apoiadores do presidente egípcio Mohamed Mursi se manifestam em frente ao Palácio Presidencial no Cairo (Foto: Asmaa Waguih/Reuters)

Cairo – O decreto do presidente egípcio, Mohamed Mursi, que isenta todas as suas decisões de serem contestadas legalmente até que um novo Parlamento seja eleito causou fúria hoje (23) entre os seus adversários, que o acusaram de ser o novo Hosni Mubarak e sequestrar a revolução.

Assessores de Mursi disseram que o decreto iria acelerar uma transição prolongada que tem sido dificultada por obstáculos jurídicos, mas rivais de Mursi foram rápidos em condená-lo como um novo faraó autocrático que queria impor sua visão islâmica no Egito.

"Mursi, um ditador 'temporário'", foi a manchete do jornal independente Al-Masry Al-Youm e centenas de manifestantes na Praça Tahrir, o coração da revolta anti-Mubarak de 2011, exigiam a saída de Mursi, acusando-o de lançar um "golpe de Estado".

Estimulado pelos elogios de todo o mundo por mediar uma trégua entre o Hamas e Israel, Mursi ordenou na quinta-feira (22) que uma assembléia dominada por islâmicos escrevendo a nova Constituição não pudesse ser dissolvida por contestações legais.

Mursi, um islamista cujas raízes estão no grupo Irmandade Muçulmana, também deu a si mesmo amplos poderes que lhe permitiram demitir o procurador-geral impopular e abrir a porta para um novo julgamento para Mubarak e seus assessores.

O decreto do presidente teve como objetivo acabar com o impasse e empurrar o Egito, a nação mais populosa do mundo árabe, mais rapidamente em seu caminho democrático, disse o porta-voz presidencial Ali Yasser à Reuters.

O presidente disse que qualquer decreto que ele emitisse não poderia ser contestado, uma decisão que consolida seus poderes, mas deve polarizar ainda mais o Egito, ameaçando mais turbulência em uma nação no coração da Primavera Árabe.

'Outro ditador'

O decreto deve preocupar aliados ocidentais, particularmente os Estados Unidos, um aliado generoso do exército do Egito, que elogiou efusivamente a nação por seu papel em conduzir israelenses e palestinos a um cessar-fogo na quarta-feira.

O Ocidente pode se preocupar com medidas que, por exemplo, comprometem a independência judicial. Mas um diplomata ocidental disse que era muito cedo para julgar e sua nação iria ver como o decreto seria exercido nos próximos dias.

"Estamos muito preocupados com as possíveis ramificações enormes desta declaração sobre os direitos humanos e o Estado de Direito no Egito", afirmou Rupert Colville, porta-voz da Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Navi Pillay, no escritório da ONU em Genebra.

"O decreto é basicamente um golpe em instituições estatais e ao Estado de Direito, que provavelmente deve prejudicar a revolução e a transição para a democracia", declarou Mervat Ahmed, um ativista independente em Tahrir protestando contra o decreto. "Eu me preocupo que Mursi será outro ditador como o anterior a ele."

Protesto

Manifestantes irritados com o decreto de Mursi invadiram a sede do partido da Irmandade Muçulmana em Alexandria hoje, jogando para fora livros e cadeiras, e ateando fogo neles na rua, contou uma testemunha. Perto de uma grande mesquita na segunda cidade do Egito, partidários e opositores de Mursi atiraram pedras uns nos outros. Dois carros nas proximidades tiveram os vidros quebrados conforme os confrontos se afastavam da área.

União europeia

 
A União Europeia pediu hoje a Mursi que respeite o processo democrático no país. "É de extrema importância que o processo democrático seja concluído de acordo com os compromissos assumidos pela liderança egípcia", disse um porta-voz da chefe de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, em um comunicado.
 
Estes compromissos incluem "a separação de poderes, a independência da Justiça, a proteção das liberdades fundamentais e a realização de eleições parlamentares democráticas o mais cedo possível", acrescentou Ashton.
 
 
Assessores de Mursi disseram que a decisão, que também deu ao presidente novos poderes que lhe permitiram despedir o procurador-geral da era Mubarak e nomear um novo, pretendia acelerar a transição do país, que tem sido dificultada por obstáculos jurídicos.
 
Mas a declaração levantou temores entre egípcios de pensamento secular de que a Irmandade Muçulmana, onde Mursi tem as suas raízes, e os aliados do grupo visam dominar o novo Egito.
 
 
 
 
 
 
 
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