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Embaixador no Brasil rebate críticas e diz que Israel age 'para proteger cidadãos'

por Renata Giraldi, da Agência Brasil publicado , última modificação 20/11/2012 12h41

Armamento israelense explode em zona residencial da Faixa de Gaza (©Yannis Behrakis)

 

Brasília - No sétimo dia dos confrontos na Faixa de Gaza, o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, disse hoje (20) à Agência Brasil que está confiante na mediação de integrantes da comunidade internacional para um acordo de cessar-fogo entre israelenses e palestinos. Eldad negou que Israel promova uma ofensiva. “É uma defensiva. Estamos protegendo nossos cidadãos”, reiterou ele. O diplomata acrescentou que no Sul do país o “clima é complicado” e que escolas suspenderam as aulas para impedir que os estudantes fiquem sob a ameaça de bombardeios.

Como está a situação hoje no Sul de Israel, na região da Faixa de Gaza?
Infelizmente o clima ainda está complicado. As escolas suspenderam as aulas para proteger os estudantes dos riscos e das ameaças. O comércio está parcialmente funcionando. Estamos tentando proteger nossos cidadãos dos ataques do grupo Hamas.

Há informações de que o governo dos Estados Unidos está de prontidão para retirar os norte-americanos que vivem na região. Outros países também estão dispostos a isso. Será um sinal de que os confrontos vão se prolongar?
Tudo isso é fantasia. Os cidadãos que estão em Israel são israelenses. É responsabilidade  do governo de Israel proteger todos eles. Todos os cidadãos israelenses devem ser protegidos e defendidos. Os que estão na região [onde ocorrem os confrontos] estão resistindo e sofrendo da mesma forma.

A ofensiva israelense está mais intensa hoje? O senhor confirma isso?
Não é uma ofensiva. É uma defensiva. Estamos protegendo nossos cidadãos. Há pelo menos 4 milhões de israelenses sob ameaça do Hamas, é como se 90 milhões de brasileiros estivessem correndo riscos, o que o governo do Brasil faria? Não sei o que o governo do Brasil faria. Nós, em Israel, estamos protegendo nossos cidadãos.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, estão na região na tentativa de negociar um cessar-fogo. Israel aceitará essa mediação? 
Só podemos aceitar um cessar-fogo quando houver um voto de confiança de que o Hamas não voltará a atacar. Sabemos que há um movimento diplomático para tentar um cessar-fogo. O Egito está bastante empenhado também. Israel busca a estabilidade do seu povo. Estamos aguardando.

O senhor vê disposição de integrantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em negociar um cessar-fogo?
Há, sim. Mas entre a Autoridade [Nacional] Palestina e o Hamas existe uma divisão total que é histórica. Do outro lado [do Hamas], há um fundamentalismo cada vez maior que leva aos conflitos. Israel tenta buscar o equilíbrio.

Brasileiros

Um grupo de 20 brasileiros que têm também nacionalidade palestina, pediu ajuda ao Escritório do Brasil em Ramalá, na Cisjordânia, para deixar momentaneamente a Faixa de Gaza por temer o agravamento dos conflitos. Os palestinos-brasileiros, que têm binacionalidade, deverão deixar a região por terra em direção ao Egito, considerado o único caminho possível.

Nas áreas próximas à Faixa de Gaza vivem cerca de mil brasileiros. Porém, nas regiões de Israel e da Palestina há aproximadamente dez mil brasileiros. O Ministério das Relações Exteriores informou que recebeu apenas os 20 pedidos de ajuda encaminhados pelos binacionais palestinos.   

O Itamaraty acrescentou que o processo de formalização para a  “evacuação provisória” está em curso, e o objetivo é acelerar a retirada dos brasileiros. Mas não há um prazo porque a saída do grupo está associada a uma série de fatores externos, como medidas de segurança e autorizações.

Pelos dados de palestinos e israelenses, mais de cem pessoas morreram nos últimos dias, desde o começo dos confrontos. A maioria das vítimas é formada por civis, inclusive, crianças. Os palestinos dizem que, sem infraestrutura, estão com dificuldades para tratar dos feridos, pois faltam medicamentos e material hospitalar. 

ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, apelou hoje (20) para que os envolvidos nos conflitos na Faixa de Gaza promovam "um cessar-fogo imediato". Os confrontos completam hoje sete dias. "Todas as partes devem impor um cessar-fogo imediatamente. Qualquer nova escalada da situação colocaria toda a região em perigo", disse.

Paralelamente, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, informou que o governo norte-americano não apoiará uma eventual declaração do Conselho de Segurança sobre o conflito em Gaza que ameace os esforços para um acordo.

Por determinação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, segue hoje para o Oriente Médio. A ideia é que ela tente mediar o fim do conflito. Hillary tem encontros com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Em meio aos debates, as autoridades da Rússia disseram que o governo vai propor resolução para um cessar-fogo imediato. Segundo os russos, se não houver acordo entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança, será sugerido um texto apelando pelo fim das hostilidades entre Israel e os grupos palestinos na Faixa de Gaza.