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Em meio a crise financeira e política, Japão convoca eleições antecipadas

Partido Democrata Liberal poderá retomar poder após perder eleições de 2009
por Opera Mundi publicado 16/11/2012 14h59, última modificação 16/11/2012 15h25
Partido Democrata Liberal poderá retomar poder após perder eleições de 2009

São Paulo – O gabinete do primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, anunciou hoje (16) a dissolução da Câmara dos Deputados e confirmou as eleições gerais antecipadas para o dia 16 de dezembro. Analistas acreditam que o opositor PLD (Partido Liberal-Democrata), que governou o país por mais de 50 anos, pode voltar ao poder.

A dissolução formal do Legislativo aconteceu quando o presidente da câmara Baixa, Takahiro Yokomichi, leu o édito assinado pelo Imperador Akihito, um anúncio realizado ao 480 membros do plenário.

O líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, lidera todas as pesquisas de intenção de voto. Ele governou o Japão entre 2006 e 2007, e nutre a esperança de recuperar o poder para o PLD após ter sido castigado nas urnas em 2009.

Noda, de 55 anos, tomou a decisão de dissolver a Câmara dos Deputados e anunciar as eleições antecipadas após ter acordado com a oposição a aprovação de duas leis cruciais: uma reforma do sistema eleitoral para modificar o peso do voto das províncias e outra para desbloquear o gasto público.

Esta última lei foi fundamental para que os partidos opositores dificultassem o governo de Noda, já que fez com que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o Japão precisasse adiar o pagamento de subvenções públicas.

Em setembro, a oposição, que tem o controle da Câmara Alta, já barrou esta lei (necessária para garantir 40% dos fundos de financiamento do orçamento de 2012). Com um Parlamento divido e envolvido em permanentes lutas de poder, Noda já havia prometido convocar as eleições antecipadas em troca de apoio a uma controversa reforma tributária, finalmente aprovada em agosto.

Essa reforma, que inclui uma discutida alta do imposto sobre valor agregado, foi a principal causa do primeiro-ministro e também marcou seu destino político. A medida fez com que seu nível de popularidade fosse rebaixado até a marca dos 26%.

A dissolução da Câmara Baixa, que não era aceita por uma corrente do governante PD, resultou hoje na "deserção" de nove deputados, que passaram ao grupo dos outros 50 "dissidentes" que já haviam abandonado o barco em agosto, contrariados pela alta do IVA, entre eles o veterano e poderoso Ichiro Ozawa.

Agora, os principais pilares da campanha eleitoral, que será iniciada a partir do dia 4 de dezembro, passarão a girar sobre a recuperação econômica do país, a necessidade de estabelecer uma nova política energética após o acidente de Fukushima e os trabalhos de reconstrução das zonas devastadas após a tragédia de 2011.

O histórico conflito territorial com a China sobre a soberania das ilhas Senkaku e Diaoyu e a contundente defesa da soberania japonesa frente a Pequim também deverão integrar o debate.

À margem da disputa entre Noda e Abe, a corrida eleitoral também poderá destacar o octogenário ex-governador de Tóquio Shintaro Ishihara (ultraconservador e populista) e o polêmico prefeito de Osaka (centro), Toru Hashimoto, que acertam os últimos detalhes para unirem suas forças.

O próprio Abe assegurou hoje que o PD e PLD travarão "uma batalha histórica" nas urnas para escolher, exatamente daqui um mês, seu sétimo primeiro-ministro nos últimos seis anos.