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Wikileaks promete documentos sobre 'estado de exceção' nos EUA

Informes secretos revelariam desrespeito a convenções internacionais e aos direitos humanos na detenção de pessoas desde o 11 de setembro
por Opera Mundi publicado 26/10/2012 11h54, última modificação 26/10/2012 12h00
Informes secretos revelariam desrespeito a convenções internacionais e aos direitos humanos na detenção de pessoas desde o 11 de setembro

São Paulo - O site Wikileaks anunciou ontem (25) que iniciará a divulgação do que afirma serem mais de uma centena de documentos confidenciais ou restritos vazados do Departamento de Defesa dos EUA sobre as políticas de detenção militar realizadas ao longo da última década.

De acordo com um comunicado emitido pelo site da organização, até o final de novembro, o site pretende divulgar a série de documentos, intitulada “Política para os Detidos”, em ordem cronológica.

A organização assegura que os documentos incluem manuais de interrogatório e procedimentos rotineiros em centros de detenção militares em Guantánamo (Cuba), Abu Ghraib e Bucca (Iraque), além de bases na Europa.

Vários documentos de 2004, 2005 e 2008 relatam os procedimentos por trás dos interrogatórios dos presos. Segundo o Wikileaks, a violência física direta estava proibida porque a política de aterrorizar os detentos durantes os interrogatórios, combinada com a destruição de provas, permitiram abusos e impunidade.

No comunicado, o Wikileaks diz que a série mostra "o aparecimento de um buraco negro sobre o qual as leis e os direitos não se aplicam, onde pessoas podem ser detidas sem deixar rastros, conforme for conveniente para o Departamento da Defesa". "[Os documentos] mostram os excessos dos primeiros dias de guerra [contra o terror, iniciada após os ataques de 11 de Setembro aos EUA] contra um 'inimigo' desconhecido e como essas políticas amadureceram e evoluíram".

Para Assange, onze anos após os ataques,os EUA continuam em um”estado de exceção”.

"Guantánamo se converteu em um símbolo dos abusos sistemáticos dos direitos humanos no Ocidente por uma boa razão", disse o jornalista australiano.

“Como é possível que o Wikileaks mostre os procedimentos empregados em Guantánamo durante três anos e os demais meios de comunicação do mundo não publiquem nada?” perguntou Assange, que fez um pedido aos ativistas de direitos humanos que avaliem o material.

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