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Equador dá largada a corrida presidencial com Rafael Correa na liderança

Presidente, que tem mais de 40% das intenções de voto, deverá enfrentar dois antecessores e um ex-ministro de seu governo
por João Novaes, do Opera Mundi publicado , última modificação 20/10/2012 12h40
Presidente, que tem mais de 40% das intenções de voto, deverá enfrentar dois antecessores e um ex-ministro de seu governo

O presidente do Equador Rafael Correa busca terceiro mandado nas eleições do ano que vem (Foto: Wikicommons)

São Paulo – A corrida eleitoral à presidência do Equador começa amanhã (19) com a abertura do período de inscrições de candidaturas. Em busca do terceiro mandato, Rafael Correa aparece como favorito ao pleito de 17 de fevereiro de 2013, com mais de 40% das intenções de voto.

O principal adversário do atual presidente deverá ser o empresário Guillermo Lasso, ex-presidente do Banco de Guayaquil. Lasso, que concorre pela primeira vez, é fortemente ligado ao ex-mandatário deposto Jamil Mahuad (1998-2000), ainda que tente passar a imagem de pertencer a uma corrente mais moderada.

Além deles, outros dois ex-chefes de Estado, ambos também depostos, foram anunciados não oficialmente na disputa: Lúcio Gutierrez (2003-2005) e Abdalá Bucaram (1996-1997) – que se encontra exilado no Panamá. O empresário Álvaro Noboa, considerado o “homem mais rico do país”, que tentará a eleição pela quinta vez, e um ex-apoiador de Correa, o ex-ministro de Energia e Minas Alberto Acosta, que participou da formulação da Revolução Cidadã, também devem entrar na disputa.

Para Pablo Andrade, cientista político e coordenador de Estudos Latino-Americano da UASB (Universidade Andina Simón Bolívar), a campanha eleitoral que começa agora deverá se caracterizar pela polarização do eleitorado em dois grandes grupos: o do presidente Rafael Correa e de seus adversários. “No entanto, essa polarização não necessariamente implicará uma divisão social forte ou agressiva entre as duas correntes”, afirma.

Pesquisa

A última pesquisa de opinião foi divulgada no dia 7 deste mês. De acordo com resultados do instituto Cedatos, realizado em 15 cidades com 2.330 pessoas, Correa seria reeleito com 44% dos votos contra 18% de Lasso. Eles são seguidos por Gutiérrez (6,9%), Acosta (6,5%), Noboa (2,3%) e Bucaram (1,3%). Dos entrevistados, 21% deles declararam que votariam em branco ou anulariam o voto. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores ainda estão indecisos. O principal problema do país apontado por eles é a insegurança (31%), seguido pelo desemprego (22%), custo de vida (15%) e desconfiança na justiça (12%).

Para Andrade, a tendência é que Rafael Correa vença a eleição ainda no primeiro turno. “Ele e seus aliados ocupam atualmente o centro das atenções. A divisão da direita junto com a intensa autopromoção do governo ao largo dos últimos anos é muito favorável para o presidente. Na direita, a candidatura com mais chances de crescer é a do PSP [de Gutierrez], mas só porque se trata de um partido mais bem organizado e de alcance nacional”.

Dissidência governista

Do outro lado da disputa, Andrade acredita que a dissidência de Acosta não deverá interferir no desempenho de Correa. “Ele certamente deverá crescer dentro de suas bases eleitorais e poderá também ganhar apoio em setores radicais da classe média urbana. Mas não deverá crescer a ponto de provocar um segundo turno.”

Correa, no entanto, tem sofrido problemas internamente, já que o Pais ainda não confirmou sua pré-candidatura. Ela deverá ser confirmada após uma assembleia, a poucos dias do final do prazo de inscrições, em meados de novembro, como anunciou o chanceler Ricardo Patiño.

A razão, segundo Andrade, é que o Pais passa por uma dissidência interna entre grupos com projetos muito diversos e cujo impasse não consegue ser resolvido sem a intervenção do próprio Correa. “Os mecanismos de seleção [do Pais] para os candidatos ao Legislativo são inexistentes. Será o presidente em pessoa que vai escolher quem vive e quem desaparece no cenário eleitoral”, afirma.

Características

Esta eleição também colocará à prova as recentes mudanças feitas pelo governo Correa no Código da Democracia, que regula o trabalho da imprensa durante a eleição, obrigando-os a adotar uma posição de neutralidade. Segundo a lei, os meios de comunicação deverão “se abster de fazer uma promoção direta ou indireta que tenda a incidir contra ou a favor de determinado candidato, postulado, opiniões, preferências eleitorais ou teses políticas”. A corte constitucional do país determinou que eles até poderão opinar, porém, nunca fazer promoção direta ou indireta de algum candidato.

Ao todo, 11 filiações partidárias apresentaram as condições necessárias para concorrer à disputa em nível nacional, após terem conseguido recolher 157 mil assinaturas. São elas a aliança Pais (Pátria Altiva e Soberana), do presidente Rafael Correa, o movimento Creo (Criando Oportunidades), recém-criada frente de oposição liderada por Lasso, o PSP (Partido Sociedade Patriótica 21 de Janeiro), de Gutierrez, o PSC (Partido Social Cristão), o Prian (Partido Renovador Institucional de Ação Nacional), de Noboa, o MPD (Movimento Popular Democrático), o MUPP-ND (Movimento Unidade Plurinacional Pachacutik – Novo País), de Acosta, o PRE (Partido Roldosista Equatoriano), de Bucaram, o PS-FA (Partido Socialista – Frente Amplo), o Partido Avança e o Movimento Ruptura.

Outras 38 filiações partidárias participarão da disputa em nível regional. Essa fase eleitoral foi afetada por um escândalo de falsificação de assinaturas. Elas tiveram de ser revisadas uma a uma pelo CNE, em um processo que resultou na anulação do Equipo, partido liderado pelo empresário Fabricio Correa, irmão do presidente.

Até o dia 15 de novembro, os candidatos de diferentes partidos ainda poderão fazer alianças. Os comícios e a propaganda eleitoral passarão a valer a partir do dia 4 de janeiro, a 42 dias da votação.

Caso nenhum candidato obtenha mais de 40% dos votos válidos com uma diferença mínima de 10% sobre o segundo colocado, será realizado um segundo turno em 7 de abril. Além do presidente e do vice-presidente, também serão escolhidos cinco representantes do Parlamento Andino além de outros 137 membros da Assembleia Nacional. O novo governo e o congresso iniciarão suas novas administrações a partir de 24 de maio.

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