Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2012 / 09 / Protestos contra filme que satiriza Maomé se intensificam no mundo islâmico

Protestos contra filme que satiriza Maomé se intensificam no mundo islâmico

Manifestações chegaram ao Iraque, Paquistão, Jordânia, Indonésia, Catar, Sudão, Turquia e Palestina
por Marina Mattar, do Opera Mundi publicado , última modificação 14/09/2012 11h53
Manifestações chegaram ao Iraque, Paquistão, Jordânia, Indonésia, Catar, Sudão, Turquia e Palestina

Os protestos contra um filme norte-americano que ironiza e satiriza a religião islâmica se intensificaram hoje (14) e chegaram a outros países do mundo muçulmano. Centenas de pessoas ocuparam as ruas das cidades do Iraque, Paquistão, Jordânia, Indonésia, Catar, Sudão, Turquia, Afeganistão, Tunísia, Líbano e Palestina em marchas pacíficas. 

Jornais internacionais relataram que diversos imãs criticaram o filme durante as orações desta sexta, dia considerado sagrado pelo islamismo. Em diversos países, os protestos desta sexta (14/09) foram marcados por confrontos entre os manifestantes e a polícia. As manifestações contra a produção cinematográfica A Inocência dos Muçulmanos já ocorreram no Egito, no Iêmen e na Líbia, onde um embaixador e três funcionários norte-americanos acabaram mortos na terça (11/09), o que deflagrou uma crise internacional. 

Na capital iemenita, onde quatro pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas por conta da repressão policial nesta quinta-feira (13/09), os protestos continuam em frente à Embaixada dos Estados Unidos. Em Teerã, capital iraniana, centenas de pessoas voltaram a ocupar às ruas. A Praça Tahrir, na capital egípcia, também foi ocupada por centenas de manifestantes nesta sexta (14/09) que enfrentam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha disparadas pela polícia. 

Centenas de pessoas invadiram a Embaixada da Alemanha em Cartum, capital sudanesa, como parte do protesto contra o filme anti-islã, informaram agências internacionais. Existem relatos de que o edifício foi incendiado e que a polícia está tentando dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo.

No Líbano, o protesto na cidade de Tripoli também terminou com confronto entre manifestantes e policiais. O jornal britânico Guardian informou que pelo menos uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas por conta da repressão.

Em Túnis, capital tuniasiana, os centenas de manifestantes que protestavam em frente à Embaixada dos EUA foram dispersados pela polícia, que disparou bombas de gás lacrimogêneo. 

Em Islamabad, capital paquistanesa, a polícia reprimiu centenas de manifestantes que marchavam em direção à embaixada norte-americana. Já em Amã, capital da Jordânia, dezenas de pessoas se reuniram em uma mesquita próxima a sede diplomática dos EUA. O policiamento foi reforçado no local, mas os manifestantes ainda não começaram a marchar.

Em Jacarta, capital da Indonésia, cerca de 200 pessoas protestam pacificamente em frente à Embaixada dos EUA, cercada por dezenas de seguranças. Os manifestantes carregam bandeiras pretas e cartazes escritos “EUA devem se responsabilizar pela islamofobia ao redor do mundo”. 

As autoridades palestinas da Faixa de Gaza convocaram os moradores da Cidade de Gaza a um protesto pacífico nesta sexta (14/09) contra a produção cinematográfica. Segundo a Agência Efe, organizações internacionais fecharam seus escritórios por precaução. 

Em Doha, capital do Catar, centenas de pessoas tomaram às ruas depois das orações do meio-dia. O protesto está sendo acompanhado por carros e oficiais da polícia. 

No Iraque, as manifestações contra o filme anti-Islã acontecem em diversas cidades ao redor do país. De acordo com a agência Iraqi News, os manifestantes pedem que os responsáveis pela produção cinematográfica sejam responsabilizados pelas ofensas.

A Inocência dos Muçulmanos

As manifestações ao redor do mundo árabe e islâmico tiveram início nesta semana depois que o trailer do filme A Inocência dos Muçulmanos ganhou legendas em árabe em conta no YouTube. Desde então, milhares de pessoas assistiram à versão, aprovada pelo diretor, e uma emissora egípcia chegou a reproduzi-la.

O filme mostra muçulmanos atacando uma cidade e todos aqueles que possuem religião diferente, incluindo uma bela garota com uma cruz no peito que é morta. Em outras cenas, o profeta Maomé é chamado de “bastardo”, briga por um pedaço de carne com uma de suas esposas, aparece sem cuecas e faz sexo oral em uma mulher. 

Para Sam Bacile, o diretor da produção milionária, “O Islã é um câncer e ponto final”. O norte-americano, que prefere se identificar como um israelense judeu, acredita que o filme vai ajudar o Estado judeu a dominar o território da Palestina por mostrar as falhas do Islã ao mundo. “É um filme político”, disse ele ao descrever a sátira islamofóbica, que foi financiada por mais de 100 doadores judeus e custou 5 milhões de dólares. 

registrado em: ,