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Patriota afirma que governo não vai aumentar número de vistos para haitianos

Ministro das Relações Exteriores disse que o objetivo é impedir a ação do crime organizado, que tira proveito da oportunidade dada pelo governo brasileiro aos haitianos
por Renata Giraldi, da Agência Brasil publicado , última modificação 05/09/2012 15h31
Ministro das Relações Exteriores disse que o objetivo é impedir a ação do crime organizado, que tira proveito da oportunidade dada pelo governo brasileiro aos haitianos

Patriota informou que até agosto foram concedidos 760 vistos dos 1.200 previstos para 2012 (Foto: Wilson Dias/ABr)

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afastou hoje (5) a possibilidade de o governo ampliar a quantidade de vistos concedidos aos imigrantes haitianos. Patriota disse que está mantida a meta de 1.200 até dezembro. Segundo ele, o objetivo é impedir a ação do crime organizado, que tira proveito da oportunidade dada pelo governo brasileiro aos haitianos.

“São cerca de cem vistos por mês, 1.200 por ano. Até o mês de agosto, 760 vistos foram concedidos. Mas a ideia é não facilitar mais o ingresso, pois isso facilita a ação do crime organizado, que lucra com a migração desorganizada”, disse Patriota, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.

Em fevereiro, os presidentes Dilma Rousseff e Michel Martelly, do Haiti, fecharam acordo para deter a imigração ilegal dos haitianos, que desde janeiro chegam na fronteira do Brasil com o Peru. Na ocasião, foi negociada a concessão de vistos que não representam permissões de trabalho, mas permitem que os haitianos entrem no Brasil sem passar por redes de atravessadores.

As autoridades haitianas dizem que as famílias escolhem os mais fortes e com mais estudos para deixar o país, pois esses têm mais chances de conseguir emprego. Geralmente a chegada à fronteira do Brasil depende da ajuda de atravessadores que cobravam, em média, no começo deste ano, o equivalente a R$ 3 mil.

As denúncias de dificuldades, falta de assistência e até fome tornaram-se frequentes entre os imigrantes que chegam nas cidades fronteiriças tanto do Brasil, como também do Peru. Os governos locais se queixam de falta de recursos para receber os haitianos.