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Chanceler confirma que Portugal vai privatizar a água em 2013

Paulo Portas afirmou no Brasil que a estatal Águas de Portugal (AdP) será vendida no primeiro semestre de 2013
por Fillipe Mauro, do Opera Mundi publicado , última modificação 05/09/2012 16h51
Paulo Portas afirmou no Brasil que a estatal Águas de Portugal (AdP) será vendida no primeiro semestre de 2013

São Paulo – Em visita ao Brasil para a captação de investimentos e capital estrangeiro, o ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, confirmou hoje (5) que a privatização da água do país é uma certeza e ocorrerá no primeiro de semestre de 2013, por meio de licitação. A empresa estatal Águas de Portugal (AdP) é responsável pelo setor da água no país. 

Em entrevista ao Opera Mundi na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ele negou que a medida implicará surgimento de mais gastos, conforme alertaram setores da oposição portuguesa e movimentos sociais. "Não está envolvido nenhum imposto. O que irá ocorrer é a privatização dos jazigos de água e da distribuição", afirmou. O chanceler destacou que o governo do premiê Passos Coelho usará o modelo de concessão para a privatização. “A concorrência internacional está aberta a qualquer empresa. A melhor leva”, disse.

Também hoje o ex-presidente português Mario Soares fez um apelo patriótico contra as privatizações – além da Águas de Portugal, Lisboa planeja privatizar outras estatais, como a companhia aérea TAP.  “Vender as Águas de Portugal, vender a TAP, vender tudo e o que é que fica do nosso país? Acho que isso é de uma gravidade estranha e penso que todos os patriotas têm de se juntar, não por razões políticas mas por estas razões simples, e lutar para que as coisas mudem. Se não, todos somos responsáveis”, disse Soares, de acordo com o jornal português Público

Em abril, o secretário-geral da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), Arménio Carlos, alertou que a privatização da água resultaria em uma "degradação significativa da prestação do serviço público", além de significar "uma exploração ainda mais significativa daquilo que são as situações com que os portugueses hoje vivem", em referência à grave crise econômica pela qual passam o país e parte da Europa. "É um bem público, da humanidade, de todos nós, portanto, é um serviço público que tem de continuar como tal, não pode ser privatizado", afirmou.