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Após entrar no Mercosul, Venezuela recebe propostas de indústrias estrangeiras

O presidente venezuelano Hugo Chávez citou as empresas que pretendem abrir negócios no país
por Jonatas Campos, do Opera Mundi publicado , última modificação 03/08/2012 13h44
O presidente venezuelano Hugo Chávez citou as empresas que pretendem abrir negócios no país

Caracas – Assim que chegou de sua viagem ao Brasil, onde participou do ato de inclusão do seu país ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), o presidente venezuelano Hugo Chávez concedeu uma entrevista coletiva, na quarta-feira (01), para enumerar as conquistas da Venezuela após sua entrada no bloco regional.

Além do acordo firmado com a Embraer para a compra de seis aviões comerciais no valor de US$ 270 milhões e da aliança com a petrolífera argentina YPF, Chávez também anunciou a intenção de empresas, como a General Motors (GM), Samsung, Yamaha e Renault, se instalarem no país.

Segundo o ministro da Indústria, Ricardo Menéndez, a delegação venezuelana manteve conversas com executivos da GM no Brasil, nas quais resultou a intenção da empresa de instalar uma fábrica de peças automotivas no país, além de acrescentar à capacidade produtiva venezuelana mais 120 mil veículos por ano. Hoje a Venezuela produz cerca de 50 mil unidades ao ano. O ministro explicou que a intenção da transnacional automotiva é montar veículos com peças fabricadas na Venezuela e exportar peças e carros para o norte do Brasil e Caribe.

Chávez avaliou que, com o ingresso da Venezuela no Mercosul, será mais fácil conseguir financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para ele, a aquisição de seis aviões da Embraer, destinados à companhia estatal de transportes aéreo, é o primeiro passo, já que o país caribenho recebeu um crédito do banco brasileiro que representa 70% do valor total da compra. “Chegam três aviões este ano”, comemorou a ministra Elsa Gutiérrez, da pasta de Transporte Aquático e Aéreo.

Commodities

Outro assunto comentado pelo presidente foi o potencial do seu país para exportação de commodities agroalimentares e minerais. “Nós temos uma das maiores reservas de fosfatos do mundo”, disse Chávez. “Até agora temos uma reserva aprovada de 70 milhões de toneladas e previsão de mais 80 milhões para serem aprovadas”, completou o ministro Menéndez. O fósforo é um mineral importante na fabricação de fertilizantes.

Chávez anunciou que em curto prazo também vai exportar “coque verde” para o Brasil. O coque é um subproduto do petróleo utilizado em diversos produtos da indústria brasileira. “O Brasil importa por ano cerca de 100 milhões de toneladas de coque da Nigéria, África e Oriente Médio. Nós produzimos cerca de 100 milhões de toneladas de coque. Temos aqui mesmo no Orinoco (bacia do rio Orinoco)”, afirmou.

Mas o presidente venezuelano advertiu que o país tem que agregar valor às suas matérias-primas com o objetivo de aumentar as divisas do país. “Nenhum país do mundo se desenvolveu sendo exportador de matéria-prima. Temos que dar valor agregado à nossa matéria-prima em território venezuelano e, agora, em território do Mercosul", explicou. O governo venezuelano também pretende exportar para o Brasil flores, uva, vidro e alumínio.

Pré-sal

Chávez declarou-se empenhado em finalizar a construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, uma parceria entre Petrobrás e PDVSA, empresa petrolífera estatal venezuelana. Apesar das obras da refinaria seguirem o cronograma, apenas a Petrobrás, até o momento, aportou verbas ao empreendimento. “Vamos levar 115 mil barris de petróleo para refinar e abastecer o norte do Brasil de combustível”, afirmou o político, lembrando-se da facilidade da Venezuela em extrair petróleo, ao contrário do Brasil, que vem fazendo grandes investimentos para extrair o óleo das reservas de pré-sal.

“Nosso petróleo está a 500 metros do solo. Terra plana, arenosa. Primeiro sai um jato de água doce, depois o petróleo. A nós, custa 6 dólares dólares por barril [para extrair]. A extração nas reservas do pré-sal estão debaixo de dois quilômetros de lâmina d’água e mais três quilômetros de sal”, afirmou o presidente venezuelano.

Também foi anunciado que os três navios multipropósito da frota venezuelana vão agregar força à capacidade exportadora do país, já que têm condições de entrar nos principais portos do Brasil, além da versatilidade de transportar desde grãos a contêineres.

Indústria venezuelana

A coletiva no Aeroporto Internacional Simon Bolívar, no município de Maiquetía, ns Grande Caracas, também serviu para o presidente acalmar os industriais do país. Na terça-feira (31/07), a Favenpa (Câmara dos Fabricantes Venezuelanos de Produtos Automotivos) enviou um comunicado ao chanceler Nicolás Maduro solicitando a "exclusão do setor automotivo do ingresso do Mercosul".

Para eles, as "assimetrias" que existem entre as indústrias brasileira e argentina em relação à venezuelana seriam danosas para a indústria nacional. “Temos que ouvi-los. Mas eles deveriam estar fazendo uma festa com a incorporação da Venezuela”, disse Chávez.

O presidente tratou de acalmar os empresários locais, assegurando que o Mercosul tem dispositivos que protegem setores mais “delicados” da economia dos países membros. “Não estamos em apuros. A Venezuela terá uma lista de artigos sensíveis para serem excluídos dos processos de isenção fiscal ou concedidos um prazo maior”, disse. Já o ministro Menéndez também tentou tranquilizar o setor. “No marco do Mercosul há dois produtos que estão excetuados do conjunto de normas, que é o setor automotriz e o açúcar”, assegurou.