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Annan desiste de mediar plano de paz na Síria

por Redação da RBA publicado 02/08/2012 14h25, última modificação 02/08/2012 14h25

São Paulo – O chefe da missão das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, apresentou hoje (2) sua renúncia ao cargo. "É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político", disse Annan em entrevista coletiva em Genebra, na qual voltou a comentar a falta de unidade na comunidade internacional para pôr fim a 17 meses de conflito armado.

Em julho, o Conselho de Segurança da ONU decidiu renovar até 31 de agosto o mandato da missão que negocia a paz na Síria. Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, apresentou um plano de negociação que contava, entre outros, com o apoio do Brasil, mas a Rússia, que tem poder de veto, vem bloqueando as tentativas de impor qualquer medida que considere nociva ao governo de Bashar al-Assad. Segundo organizações não governamentais, 16 mil pessoas já morreram desde o início dos conflitos. 

Em um comunicado, o secretário-geral Ban Ki-Moon informou que iniciou as conversas para a escolha do sucessor na missão. "Kofi Annan merece uma admiração profunda pela forma abnegada que colocou suas habilidades e prestígio a serviço dessa tarefa difícil e potencialmente ingrata", disse.

Annan chegou a divulgar um acerto com o governo de Bashar al Assad e a oposição que incluía um cessar-fogo. Porém, os termos não foram respeitados por nenhum dos lados. Em 18 de julho, um atentado resultou na morte do ministro de Defesa, Daoud Rajha, e deixou vários feridos, o que elevou as cobranças internacionais por uma solução rápida para o caso e levou à renovação da missão. 

Naquele momento, o líder da Comissão Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, descartou a imposição de uma saída militar para a transição de governo. “Não há outra saída. Alguns países gostam de dizer que todas as opções estão sobre a mesa, mas não há mesa nem há outra opção. Primeiro porque não há possibilidade de intervenção externa. Segundo porque nem os Estados Unidos, até novembro, por causa das eleições, nem a Rússia querem uma invasão estrangeira.”