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Médicos relatam asfixia por gás tóxico na Praça Tahrir, no Egito

por Redação da RBA publicado , última modificação 23/11/2011 18h43

Desde sábado, 33 pessoas morreram e 2 mil ficaram feridas (Foto: ©Ahmed Jadallah / Reuters)

São Paulo – Médicos no Egito afirmam ter encontrado sinais claros de asfixia por gases tóxicos atirados contra manifestantes na Praça Tahrir, no Cairo, capital do país do norte da África. Eles prestaram atendimento a feridos em confrontos com a polícia após a nova onda de protestos, agora contra o regime de transição egípcio.

Esta quarta-feira (23) foi o quinto dia consecutivo de manifestações no país, governado por uma Junta Militar desde fevereiro, com a queda de Hosni Mubarak. Embora o chefe do Conselho Supremo da Forças Armadas, Hussein Tantawi, confirme a realização de eleições parlamentares e presidenciais, isso não é o bastante. Os protestos pedem antecipação do pleito para abril de 2012.

Desde sábado (19), 33 pessoas morreram e 2 mil ficaram feridas, segundo ONGs internacionais. O Prêmio Nobel da Paz de 2005 e candidato à Presidência da República, Mohamed El Baradei, classificou os confrontos no Egito como “massacre”. As principais críticas à Junta Militar atribuem ao governo de transição práticas adotadas durante os 42 anos de Mubarak.

Na terça-feira (22), Tantawi anunciou em cadeia nacional a antecipação da votação para julho de 2012, seis meses antes do previsto. Para o Parlamento, os egípcios devem ir às urnas a partir da próxima segunda-feira (28), em um processo realizado em etapas até janeiro do ano que vem. Na prática, as promessas aceleram a transferência do poder a um presidente civil.

A declaração contrastou com a proposta de um referendo sobre a antecipação do governo da Junta Militar, visto como uma forma de dividir os egípcios entre aqueles que estão protestando e os que temem a escalada da violência.

A renúncia do primeiro-ministro Essam Sharaf e de seu gabinete também foi anunciada na terça. A decisão de Sharaf de conceder direitos aos militares e a imunidade em caso de governo civil foi um dos motivos para os atuais protestos. No Egito, após cinco décadas e meia de governos comandados por militares, eles gozam de benefícios diferenciados dentro da sociedade. Antes de Mubarak, Gabal Nasser e Anwar Al Sadat conduziram gestões com forte presença do grupo. Além disso, setores econômicos como a venda de gás de cozinha são controlados pelo Exército.

Com informações do OperaMundi e da Agência Brasil