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Berlusconi perde maioria e pode ser forçado a renunciar

Analistas veem primeiro-ministro italiano humilhado, porque, apesar de abstenção da oposição, ele não alcançou os votos que lhe conferiam maioria
por Redação da RBA publicado , última modificação 08/11/2011 15h18
Analistas veem primeiro-ministro italiano humilhado, porque, apesar de abstenção da oposição, ele não alcançou os votos que lhe conferiam maioria

Berlusconi irá consultar presidente italiano antes de decidir o futuro (Foto:©Sebastien Pirlet / Reuters)

São Paulo – O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, sofreu uma derrota nesta terça-feira (8) no Parlamento e pode ser forçado a renunciar ao cargo. A votação do Orçamento, chave em um momento de crise econômica, marcou a perda da maioria do atual gabinete e, como de praxe no sistema parlamentarista, espera-se que Berlusconi coloque o cargo à disposição nesta situação. Analistas consideram que o episódio foi uma humilhação ao governo.

Berlusconi ganhou a votação da retificação das contas públicas de 2010, porque a oposição se absteve, mas teve apenas 308 votos, abaixo dos 316 necessários para ter a maioria absoluta na Câmara de 630 lugares. Ao longo das próximas horas espera-se que seja definido se ele segue como titular do gabinete italiano, que terá a função de colocar em prática as medidas impostas por União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) na tentativa de resgatar a economia do país, afetada pela crise.

Na véspera, o risco país da Itália se equiparou ao de Irlanda, Grécia e Portugal, as nações mais frágeis do bloco, em meio à desconfiança de que Berlusconi, com um governo fragilizado por escândalos sexuais e denúncias de corrupção, não teria como levar adiante as reformas esperadas pelos líderes do bloco. Embora a dívida italiana seja historicamente alta, o patamar de 1,9 trilhão de euros e as taxas de juros maiores praticadas por causa do descrédito nos políticos italianos e do agravamento do quadro europeu é considerado impraticável.

Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático de Esquerda, de oposição, pediu a saída imediata de Berlusconi. "Eu peço com toda minha força que você, primeiro-ministro, finalmente leve em consideração a situação... e renuncie", declarou Bersani logo após a votação. A preocupação é com o risco de perda de confiança de investidores internacionais nos títulos da dívida italiana.

Umberto Bossi, presidente da Liga do Norte, ministro de Reforma Institucional e aliado de Berlusconi, havia pedido que o premiê renunciasse, deixando o posto para Angelino Alfano, secretário do PDL, partido de Berlusconi.

Até agora, o primeiro-ministro italiano rejeitou as demandas, mas isso pode mudar depois de ficar claro que ele não possui mais o apoio da maioria. "A votação deixa em aberto todas as opções para o futuro do governo, que vai decidir o que fazer nas próximas horas", disse disse o ministro da Defesa Ignazio La Russa.

Ele afirmou que Berlusconi irá consultar o presidente Giorgio Napolitano antes de decidir o futuro.

Com informações da Reuters