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'Não há espaço para o monopólio em negociações internacionais', diz Dilma

por Renata Giraldi publicado 04/10/2011 10h35, última modificação 04/10/2011 11h25

Dilma, ao lado de Herman Van Rompuy, do Conselho Europeu (centro) e José Manuel Durão Barroso, da Comissão Europeia (Foto: ©Roberto Stuckert Filho/PR)

Bruxelas (Bélgica) - Em referência direta aos confrontos armados no Oriente Médio e no Norte da África, a presidenta Dilma Rousseff apelou nesta terça-feira (4) para que os países se empenhem no que chamou de “diplomacia preventiva”. Segundo ela, por meio do diálogo e da busca de acordos, é possível prevenir conflitos e tentar impedir o agravamento da violência. As declarações foram dadas  em Bruxelas, capital da Bélgica.

A presidenta ressaltou que “o mundo atual não permite mais que apenas alguns países tenham voz”. Em campanha pela ampliação de várias instituições mundiais, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o reconhecimento do estado palestino como membro da ONU, Dilma ressaltou que a atuação em defesa da paz e do equilíbrio das nações não pode ser papel apenas de alguns países. “Isso não é monopólio de alguns”, disse ela. “As Nações Unidas precisam estar à altura de um mundo multipolar.”

A declaração da presidenta ocorreu durante a 5ª Cúpula Brasil-União Europeia, quando ela se reuniu com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, além de ministros brasileiros. “Precisamos investir mais na prevenção de conflitos e na diplomacia preventiva”, disse ela.

Nesta segunda (3), o primeiro-ministro da Bélgica, Yves Leterme, confirmou o apoio dos belgas ao pleito brasileiro em defesa da ampliação do Conselho de Segurança. Segundo ele, o esforço brasileiro é legítimo e a reforma do conselho, necessária. Atualmente o Conselho de Segurança tem 15 lugares.

Desigualdade

Dilma afirmou que "a união na comunidade internacional é a alternativa para combater a pobreza estrutural”. Para a presidenta, os programas de transferência de renda desenvolvidos no Brasil, como o Bolsa Família, podem ser executados em vários países da África com o apoio da União Europeia (UE). 

“Podemos multiplicar as ações bem-sucedidas”, ressaltou Dilma. Lembrou que no Brasil os esforços visam a combater a pobreza e a intolerância como um todo.

Paralelamente, o Brasil e a União Europeia assinaram uma série de acordos nas áreas de turismo, ciência e tecnologia, educação e cultura. Para Dilma, a tendência é incrementar as parcerias entre europeus e brasileiros, incluindo as áreas de comércio e economia.

Dilma lembrou que em 2010 o comércio entre o Brasil e a União Europeia superou US$ 82 bilhões. Segundo ela, o esforço é aumentar para US$ 100 bilhões. A previsão da presidenta se baseia na elevação de 26,7% dos dados de 2009 a 2010. Segundo ela, há indicações de que as parcerias entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia estão sendo bem-sucedidas.

Brasil potência

Presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, disse que o Brasil é considerado uma potência pelos europeus. Segundo ele, é fundamental a cooperação brasileira no combate aos impactos da crise econômica internacional, para impedir o agravamento da crise. “Na Europa, vemos o Brasil como potência e atuante para reforçar o esforço global contra esses problemas (causados pela crise econômica internacional)”, disse Barroso. 

Ele destacou ainda que o Mercosul investe mais nos 27 países da União Europeia do que a Rússia, China e Índia juntos. De forma semelhante falou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que destacou o papel desenvolvido pelo Brasil no cenário político e econômico internacional.

“Há planos ambiciosos. Minha expectativa é complementar as relações econômicas e comerciais (entre o bloco e os países emergentes)”, disse Rompuya. “O Brasil é um importante, valioso e estratégico parceiro”, acrescentou ele.

Fonte: Agência Brasil

Edição: Redação Rede Brasil Atual