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Evo Morales cede a indígenas e proíbe construção de estrada que cortaria reserva

por virginiatoledo publicado , última modificação 21/10/2011 17h26

Decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, foi tomada após uma semana de intensas manifestações (Foto: Antonio Cruz/Abr)

São Paulo - Após semanas de intensas manifestações e marchas que protestavam contra a construção de uma estrada no interior da Bolívia, cujo trajeto cortaria uma das reservas indígenas do país, o presidente Evo Morales recuou da decisão de construir a rodovia. O presidente boliviano afirmou que a reserva indígena Tipnis (Terra Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure) continuará "intocável".

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (21), antes da reunião entre o presidente boliviano e as lideranças do movimento, que cruzaram o país a pé para protestar contra a estrada, financiada pelo Brasil. Morales afirmou que modificará o projeto de lei do Congresso que permitia a suspensão definitiva da construção apenas após uma consulta popular.

"A observação que estou fazendo à lei é que todo texto proposto pelos irmãos indígenas substitua o artigo terceiro da lei sancionada. Portanto, estamos incorporando que não apenas a estrada Villa Tunari - San Ignacio de Moxos, como qualquer outra estrada, não cortará o território indígena", assegurou Morales.

O presidente havia aceitado reunir-se com 20 indígenas no palácio presidencial para analisar as outras demandas, mas manteve a negativa em permitir que os indígenas entrem na praça principal de La Paz, após caminharem durante 66 dias em direção à capital. A crise sobre a construção da rodovia abalou a popularidade de Morales, especialmente junto às populações de origem indígena, que formam parte de sua base de apoio.

Os nativos do Tipnis acusaram Morales de promover a construção da estrada para que os produtores de coca de seu reduto político de Chapare, vizinho da reserva, ampliassem os cultivos da folha. O presidente também foi acusado de ceder aos interesses econômicos do governo brasileiro, que vê na estrada que corta a Bolívia um meio de ligação com o Oceano Pacífico. A obra é tocada pela empreiteira OAS e tem financiamento do Banco Nacional Desenvolviento Econômico e Social (BNDES).

Os dirigentes indígenas ainda não se pronunciaram sobre a decisão presidencial, mas alguns participantes já assinalaram que o anúncio é um 'bom sinal", pois satisfaz a reivindicação, que tem recebido grande apoio social.

Com informações do OperaMundi e jornal boliviano La Razón