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"Melhora" de segurança no Haiti permite redução de tropas, diz chefe de missão

Brasileiro Mariano Fernández fala em redução de 2,7 mil dos 10,6 mil que compõe o grupo. Conselho de Segurança da ONU aprovou diminuição de 3,3 mil
por Redação da RBA publicado , última modificação 28/10/2011 16h57
Brasileiro Mariano Fernández fala em redução de 2,7 mil dos 10,6 mil que compõe o grupo. Conselho de Segurança da ONU aprovou diminuição de 3,3 mil

Desde que assumiu, em agosto deste ano, Celso Amorim tem deixado claro que pretende ver a volta dos militares brasileiros do Haiti, com o fim da missão (Foto: Divulgação/ ONU)

São Paulo - O chefe da missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), o brasileiro Mariano Fernández, justifica a decisão de reduzir o número de soldados no país centro-americano pela melhora de segurança. Ele fala em diminuir em 2,7 mil o número de militares, número inferior aos 3,3 mil definidos pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em 14 de outubro, quando o mandato da missão foi renovado.

O ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, havia afirmado anteriormente o plano de trazer de volta soldados brasileiros até março de 2012. O país mantém 2,1 mil dos 10,6 mil integrantes da força que ocupa o país desde 2007. O Itamaraty pretende que 247 militares do país regressem.

Na avaliação de Mariano Fernández, ainda há violência nas ruas da capital, Porto Príncipe, mas em um patamar inferior ao encontrado há quatro anos. À época, havia grupos paramilitares na cidade. A estabilidade política é outro fator que permite à ONU reduzir o contingente.

"A situação no Haiti mudou... Podemos reduzir as tropas e policiais porque a situação melhorou. Estamos mudando, melhorando", disse Fernández à agência Reuters, em visita a Bel Air, um dos mais violentos bairros da capital. O chefe da missão não comentou prazos para a retirada.

Inicialmente, a redução deve levar o número de soldados a um nível próximo ao encontrado antes do terremoto de janeiro de 2010. Diante da morte de 250 mil pessoas e da destruição de boa parte das construções em diversas cidades, o contingente da missão foi elevado para os atuais 10,6 mil.

A insatisfação da população haitiana é crescente com a presença dos militares ligados à ONU. O auge da crise decorre de acusações de abuso sexual por parte de soldados uruguaios, que foram mandados de volta a seu país e passam por julgamento. Outras denúncias de violações de direitos humanos não tiveram o mesmo tipo de rigor na punição, o que agrava as críticas. Acumula-se a isto a informação de que a epidemia de cólera no país teria sido trazida por soldados do Nepal. A doença vitimou 6 mil haitianos.

Do ponto de vista da reconstrução, segundo a ONU, metade dos escombros do terremoto ainda não foi recolhida. Mas como a missão é de paz, a estabilidade política, a redução do número de sequestro e homicídios e a presença mais efetiva de forças policiais locais são argumentos considerados suficientes para a redução.

O Haiti é considerado o país mais pobre do continente americano. Cerca de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo dados oficiais, e 54% sofrem em condições de miséria.

Desde que assumiu, em agosto deste ano, Celso Amorim tem deixado claro que pretende ver a volta dos militares brasileiros do Haiti, com o fim da missão. Ele sempre frisa que isso deve ocorrer sem pressa e de modo gradual.

Com informações da Reuters

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