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Rebeldes controlam quase toda Trípoli e Khadafi some

por Missy Ryan e Ulf Laessing, da Reuters publicado 22/08/2011 19h15, última modificação 22/08/2011 19h27

Trípoli - Tanques e franco-atiradores do governo líbio ofereceram na segunda-feira uma resistência esparsa e desesperada ao avanço dos rebeldes que chegaram ao coração da capital e foram ovacionados por multidões que celebravam o fim iminente dos 42 anos do regime de Muammar Khadafi.

O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, Mustafa Abdul-Jalil, disse à TV Al Arabiya que ninguém sabe qual é o paradeiro de Khadafi.

Segundo a emissora, ele também afirmou que não está havendo negociações entre os dirigentes rebeldes e o Tribunal Penal Internacional sobre a transferência de um dos filhos de Khadafi, Saif al-Islam Khadafi, para essa corte, em Haia, onde seria julgado por crimes de guerra - negando assim informação anterior da Al Arabiya. Saif foi preso pelos insurgentes.

Em uma mensagem de áudio, transmitida no domingo desde local desconhecido, Khadafi, de 69 anos, pediu aos civis que peguem em armas contra os "ratos" rebeldes, e disse que continuará em Trípoli "com vocês até o final". Mas havia pouco sinal de oposição popular à ofensiva rebelde.

Dois filhos de Khadafi foram detidos pelos rebeldes. Correspondentes da Reuters viram insurgentes perseguindo franco-atiradores de casa em casa. Disparos e bombardeios esporádicos mantinham os civis fora das ruas, ansiosamente aguardando o final dos combates após uma breve explosão de júbilo no domingo.

"Os revolucionários estão posicionados em todos os lugares de Trípoli, mas as forças de Khadafi tentam resistir", disse um dirigente rebelde na cidade, identificado como Abdulrahman.

Segundo ele, "há tiroteios em todo lugar" e os tanques do governo estão em ação perto do porto e no centro, nos arredores do complexo governamental de Bab al Aziziya. "Os franco-atiradores são o principal problema," acrescentou. "Há um grande número de mártires (rebeldes mortos)."

O chanceler italiano, Franco Frattini, disse que "o tempo se esgotou" para o regime líbio, que segundo ele controlava agora apenas 10 a 15 por cento da capital.

Mas a TV estatal ainda parece estar nas mãos dos seguidores de Khadafi. "O moral das nossas tropas está elevado", disse um apresentador. No entanto, uma programação infantil substituiu a música marcial e as imagens de Khadafi que dominaram as transmissões nos últimos meses.

Na noite de sábado, células rebeldes na capital e insurgentes vindos de várias frentes fizeram uma ação coordenada que resultou nos maiores combates na capital em seis meses de guerra civil. Uma fonte do governo disse à Reuters que houve 376 mortes, em ambos os lados, e cerca de mil feridos. Não ficou claro como essas cifras foram apuradas.

Na noite de domingo, uma multidão de civis agitando bandeiras dos rebeldes se aglomerou na praça Verde, tradicional reduto do culto à personalidade de Gadafi. Alguns propunham rebatizar o local como praça dos Mártires.

Mas, na manhã desta segunda-feira, o porta-voz rebelde Nouri Echtiwi disse que tanques e caminhonetes equipadas com metralhadoras haviam saído do complexo governamental de Bab al Aziziya. "Eles disparavam aleatoriamente em todas as direções sempre que ouviam tiros", afirmou.

A guerra civil líbia é a mais violenta na onda de revoltas populares deste ano no Norte da África e Oriente Médio, a chamada "Primavera Árabe". Os EUA e outros governos ocidentais pediram a Khadafi que aceite a derrota e se disponha a colaborar com os rebeldes - embora o futuro da liderança líbia ainda seja muito obscuro.

Reportagem de Missy Ryan e Ulf Laessing em Trípoli, Michael Georgy e Peter Graff no oeste da Libya, Robert Birsel em Benghazi)

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