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Professores e estudantes programam paralisação nacional no Chile

OEA manifesta preocupação pela repressão que o governo de Sebastián Piñera vem promovendo contra os manifestantes, que cobram um novo sistema educacional
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 08/08/2011 14h12
OEA manifesta preocupação pela repressão que o governo de Sebastián Piñera vem promovendo contra os manifestantes, que cobram um novo sistema educacional

São Paulo – Professores e estudantes chilenos marcaram para esta terça-feira (9) uma greve nacional da rede de educação para mostrar a rejeição às propostas apresentadas pelo presidente Sebastián Piñera na tentativa de dar fim aos massivos protestos, que já duram quase três meses.

O Ministério da Educação apresentou na última semana uma série de medidas que basicamente aumentam os subsídios ao sistema educacional, mas não mexem na questão central das reivindicações dos manifestantes, que é a criação de uma rede de ensino pública, gratuita e de qualidade.

Os comandantes das marchas, as maiores desde a redemocratização do país, há duas décadas, lamentam que Piñera não esteja disposto a dar fim ao lucro das escolas e a encerrar o modelo de financiamento que endivida jovens. "Da carreira profissional docente (Piñera) não fala nada. Acreditamos que deve haver um sistema que não seja punitivo. Além disso, (o atual sistema) não permite aliviar o endividamento que têm os universitários pelo crédito fiscal", afirmou Jaime Gajardo, presidente do Colégio de Professores, entidade que reúne profissionais do ensino básico ao superior. 

Está programada para os dias 24 e 25 uma paralisação nacional de todos os setores sociais, em meio ao pior momento do governo Piñera, contestado por uma série de iniciativas sociais e econômicas que poderiam encontrar na privatização da Codelco, a estatal mineradora, o ponto mais alto.

OEA preocupada 

No domingo (7), pais de alunos saíram às ruas para deixar claro o apoio à causa de seus filhos, duramente reprimidos na marcha da última quinta-feira (5), quando o governo lançou mão de um decreto dos tempos do ditador Augusto Pinochet (que governou o Chile de 1973 a 1990) para prender quase mil manifestantes.

O Ministério da Educação valeu-se da prerrogativa do Poder Executivo para autorizar reuniões públicas e dizer que estudantes e professores não poderiam "atrapalhar" o país. Segundo números oficiais, 15 mil pessoas participaram do ato de domingo, que desta vez transcorreu sem repressão.

Antes disso, no sábado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos emitiu um comunicado manifestando preocupação pela atuação dos policiais. A entidade, integrante da Organização dos Estados Americanos (OEA), pontuou que o Estado chileno deve respeitar os direitos à expressão, à manifestação e à reunião pública, e em especial deve proteger as crianças e os jovens, que não poderiam sofrer a ação violenta das forças de segurança.

"Dada a importância destes direitos para a consolidação das sociedades democráticas, a Comissão defende que qualquer restrição aos mesmos deve estar justificada em um interesse social imperativo", defende a nota. "O uso de força em manifestações públicas deve ser excepcional e em circunstâncias estritamente necessárias e conforme os princípios internacionalmente reconhecidos."