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Chile exuma corpo de Salvador Allende para apurar causa real da morte

Publicado por Jorge Seadi
11:58
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Eleito democraticamente, Allende foi deposto por um golpe militar em 1973 (Foto: ©Sul21/Reprodução)

São Paulo – Na manhã desta segunda-feira (23),  peritos do Instituto Médico-Legal de Santiago do Chile começaram a exumação do corpo do ex-presidente Salvador Allende. Os trabalhos estão coordenados pelo juiz Mário Carroza, representante do Ministério Judicial Público, que investiga a morte de Allende.

Os peritos encarregados de fazer a exumação, chilenos e estrangeiros, retiraram os restos mortais de Allende do mausoléu da família no Cemitério Geral. A Justiça quer determinar como, realmente, morreu Allende em 11 de setembro de 1973.

Grande número de políticos, os deputados comunistas Jorge Arrate, Guillermo Teiller, Hugo Gutierrez e Carolina Tohá, o senador socialista Juan Pablo Letelier e o ex-ministro Osvaldo Puccio, foram ao cemitério, acompanhando familiares de Allende. O advogado da família Allende, Eduardo Contreras, disse que “esta é uma jornada histórica”.

Somente familiares como Isabel e Carmem Allende, além da imprensa, tiveram acesso ao mausoléu. Todo o trabalho dos peritos teve a segurança de políciais militares. Centenas de jornalistas, inclusive da imprensa internacional, acompanham os trabalhos de exumação. Esta é a segunda vez que  os restos mortais do ex-presidente são exumados. A primeira vez foi em 17 de agosto de 1990 quando foram transladados do cemitério de Viña del Mar, onde foi enterrado no dia seguinte a sua morte, para o cemitério de Santiago.

Exumação

A exumação que está sendo realizada nesta segunda-feira não será para uma nova autópsia, mas sim para a realização de outros tipos de exames. Entre os peritos que participam dos trabalhos está o espanhol Francisco Etxeverria, que já participou de outros trabalhos de identificação de outras vítimas da ditadura chilena, entre 1973 e 1990. Outros cinco peritos estrangeiros participam da análise dos restos mortais de Allende, entre eles a norte-americana Douglas Ubelaker e o perito balístico britânico David Pryor.

O caso Salvador Allende é um dos 726 que integram as questões de violação dos direitos humanos que foram apresentados pelo promotora Beatriz Pedrais, em janeiro passado, ao juiz Mario Carroza.

Morte de Allende

Salvador Allende morreu em 11 de setembro de 1973 quando o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, era atacado por ar e terra pelas Forças Armadas que apoiavam o golpe militar chefiado por Augusto Pinochet. A versão mais conhecida era a de que Allende havia se suicidado com um tiro do fuzil AK -47 que ganhara de presente de Fidel Castro. Até a família do presidente aceitou esta versão. O suicídio teria sido presenciado  pelos médicos Patricio Guijón e José Quiroga, colaboradores de Allende. Segundo eles, Allende  estava  no salão Independência, no segundo andar do Palácio de La Modena, quando se matou.

No entanto, o escritor e jonalista chileno Camilo Tauffic, depois de investigar a morte de Allende por vários anos, chegou concluiu que a causa da morte do ex-presidente foi um “suicídio assistido”. Tauffic sustenta que Allende se deu um tiro de pistola, sem morrer, e que teria sido um dos integrantes da guarda pessoal, a GAP (Grupo de Amigos Pessoais) que lhe teria dado o tiro fatal, como “uma atitude de misericórdia”.

Esta possibilidade foi reforçada pela declaração, em 2008, do perito forense Luis Ravanal, que teria encontrado diferenças na análise da autópsia realizada em Allende logo depois de sua morte, chegando à conclusão de que havia duas marcas de bala no crânio de Allende, de armas e calibres diferentes.

Fonte: Sul21

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