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Tribunal autoriza libertação de fundador do WikiLeaks sob fiança

Julian Assange deve passar mais uma noite na prisão por questões de segurança, diz advogado
por Peter Griffiths publicado 14/12/2010 13h56, última modificação 14/12/2010 15h29 © Thomson Reuters 2010. All rights reserved.
Julian Assange deve passar mais uma noite na prisão por questões de segurança, diz advogado

Advogado de Assange sugere que ativista é contrário a ataques de hackers contra operadoras de cartões de crédito (Foto: Luke MacGregor/Reuters/Arquivo)

Londres - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que foi preso na Grã-Bretanha após ter sido acusado na Suécia de crimes sexuais, foi autorizado nesta terça-feira (14) por um tribunal a deixar a prisão sob pagamento de fiança. Por questões de segurança, ele deve passar ainda mais uma noite na prisão.

O australiano de 39 anos, cujo site WikiLeaks enfureceu os Estados Unidos ao começar a divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas, recebeu o benefício da liberdade condicional do juiz Howard Riddle até que seja realizada outra audiência.

Assange, que nega as acusações feitas contra ele na Suécia, será monitorado eletronicamente, terá de pagar 200 mil libras (US$ 317,4 mil ou R$ 535,3 mil) à corte, apresentar-se diariamente à polícia e respeitar um toque de recolher até a realização da próxima audiência, no dia 11 de janeiro, decidiu o juiz.

O advogado de Assange, Geoffrey Robertson, afirmou a jornalistas após a concessão da liberdade condicional que levará tempo para organizar a segurança necessária e que Assange provavelmente passará a noite de terça-feira ainda na prisão.

O juiz determinou que Assange deve fixar residência em Suffolk, leste da Inglaterra, terra de Vaughan Smith, ex-oficial do Exército que criou uma associação independente de jornalismo em Londres. A promotoria recebeu um prazo do tribunal, até o final da tarde, para decidir se vai recorrer da decisão do juiz.

Antes da audiência, Assange acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de "ataques ilegais e imorais".

Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar. "Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", afirmou. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela Internet a "Operation Payback" ("Operação Troco"), tirando do ar os sites da Visa, Credicard e do governo sueco. Mas o advogado de Assange Mark Stephens sugeriu que seu cliente discorda desses ataques.

"Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques... ele disse: 'Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso", afirmou Stephens nesta terça ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia "vinte três horas e meia por dia". "Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais insignificantes formas de censura", afirmou.

Assange entregou-se à polícia britânica na semana passada após a Suécia ter emitido um mandado internacional de prisão contra ele.

O australiano e seus advogados já manifestaram temores de que promotores dos EUA queiram indiciá-lo por espionagem por causa dos vazamentos do WikiLeaks.

Fonte: Reuters

Reportagem adicional de Michael Perry e Adrian Croft

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