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Documentos secretos dos EUA indicam cooperação brasileira contra acusados de terrorismo

por Redação da RBA publicado 29/11/2010 16h44, última modificação 30/11/2010 18h28

São Paulo - Documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos, divulgados no domingo (28) pelo site WikiLeaks, mostram que para o então embaixador em Brasília , Clifford Sobel, autoridades brasileiras disfarçam a prisão de terroristas. Apesar de oficialmente criticar o Brasil por não ter uma política nem ter legislação contrária ao terrorismo, há relatos de cooperação entre agentes da Polícia Federal do país com a agência de inteligência norte-americana.

As informações fazem parte de um lote de 1.947 telegramas produzidos pela diplomacia norte-americana durante a última década em Brasília. O WikiLeaks vazou mais de 250 mil documentos secretos que se referem a informações diplomáticas obtidas desde a década de 1960 até fevereiro de 2010 em todo o mundo. O material referente ao Brasil deve ser liberado aos poucos a partir desta semana.

O embaixador norte-americano afirma que "o governo brasileiro é um parceiro cooperativo no combate ao terrorismo", mas que os altos níveis do governo, "particularmente o Ministério das Relações Exteriores", evitam tornar público a presença dos terroristas no país. O texto afirma que há "o medo de estigmatizar a comunidade muçulmana do Brasil" e prejudicar a imagem do país como um destino turístico.

Os documentos de 2008 citam algumas prisões em que os suspeitos são acusados de tráfico de entorpecentes ou problemas alfandegários, sem acusá-los diretamente de atividades ligadas ao terrorismo. De acordo com o embaixador a a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está ciente da potencial ameaça terrorista e monitora de perto essas atividades.

Nos telegramas, a embaixada ressalta que o governo brasileiro e os serviços de inteligência têm ampla presença na chamada Tríplice Fronteira (Argentina, Paraguai e Brasil) por conta da preocupação com o tráfico de armas, contrabando de mercadorias pirateadas, a lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo na área.

Procurada pela Rede Brasil Atual, a Polícia Federal afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso. No Ministério das Relações Exteriores não havia nenhum assessor disponível para fornecer informações.

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