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Emoção e expectativa no resgate dos mineiros soterrados

por Agência Brasil publicado 13/10/2010 09h59, última modificação 13/10/2010 10h00

(Foto: Hugo Infante-Governo do Chile/Reuters

Brasília – Um misto de emoção, expectativa, fé e alegria envolveu o resgate dos primeiros dos 33 mineiros soterrados há 70 dias na Mina San José, no Deserto de Atacama, no Chile. De 23h08 de terça-feira (12)  às 06h21 do dia seguinte, sete trabalhadores haviam sido resgatados. O tempo médio para o resgate de cada mineiro variava de 12 a 16 minutos. Aparentemente, os resgatados não demonstraram problemas físicos nem psicológicos.

Todos os trabalhadores são examinados rapidamente quando chegam à superfície e depois levados para o hospital. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, recebeu até o quarto trabalhador.

Lágrimas e temor dominaram a chegada do primeiro mineiro resgatado Florencio Avalos, de 31 anos. Emocionado, Avalos abraçou a mulher e Piñera, depois cumprimentou os resgatistas e as autoridades.

Mas o destaque ficou por conta de Mario Sepúlveda, de 39 anos, apontado como líder do grupo. Bem-humorado e animado, Sepúlveda saiu da cápsula de resgate aos pulos, puxou o grito de guerra chileno “Chi Chi Le Le, Chile” e só depois abraçou a mulher e as autoridades. Ele distribuiu pedras como “presentes” para a mulher, Piñera e alguns dos resgatistas. Não deixou de sorrir nem quando foi colocado na maca para ser transportado ao hospital. 

Os 33 trabalhadores usam um macacão especial, capaz de manter a temperatura do corpo, proteger dos percalços ao longo dos 700 metros de onde estavam até a superfície, e óculos escuros. O único estrangeiro entre os soterrados, o boliviano Carlos Mamani, de 23 anos, subiu do abrigo até a superfície com a bandeira da Bolívia.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, avisou que pretende chegar ir ao Chile para visitar Mamani. Também emocionou o resgaste de Jimmy Sánchez Lagues, de 19 anos, o mais jovem do grupo e pai de um bebê, de 3 meses. Fã do Universidad de Chile, Lagues chegou à superfície com a bandeira do time de futebol. 

Sem esconder a emoção, Piñera afirmou que o resgate dos trabalhadores, depois de 70 dias, foi um “verdadeiro milagre”. O presidente lembrou a fé e a força marcam o povo chileno. Segundo ele, várias provas disso têm sido dadas e lembrou o terremoto de 27 de fevereiro, considerado o pior dos últimos 50 anos, e que até hoje faz o país estar em reconstrução.

Ainda na terça-feira,os organizadores do resgate decidiram que os primeiros a serem içados seriam os mais ágeis e com melhores condições psicológicas, para suportar obstáculos não previstos na operação. Em seguida subiriam os mais idosos e doentes e, por fim, os mais fortes. Por duas vezes, houve mudanças de horários referentes ao momento do resgate. As autoridades disseram que queriam afastar qualquer hipótese de erro.

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