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Amorim vê evolução nas negociações para encerrar impasse envolvendo Irã

por Renata Giraldi, da Agência Brasil publicado 28/09/2010 11h05, última modificação 28/09/2010 11h10

Para o ministro Celso Amorim há uma visão comum de que as perspectivas sobre o Irã são positivas (Foto: Valter Campanato/ABr)

Brasília – As negociações para um eventual acordo que encerre o impasse envolvendo o Irã e a comunidade internacional evoluem. A conclusão é do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, depois de se reunir na noite da segunda-feira (27) com o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, em Nova York. Atualmente Davutoglu é o presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo Amorim, há uma visão comum de que as perspectivas sobre o Irã são positivas.

"(Davutoglu) é meu companheiro de várias empreitadas", disse Amorim. "Acho que é uma visão comum, estamos vendo uma evolução (no caso da retomada das negociações entre os líderes do Irã e representantes da comunidade internacional). Há uma perspectiva de encontro (do Irã com os países que integram o chamado P5+1 – Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha)", disse.

Amorim lembrou que houve sinalizações do P5+1 de que a retomada das negociações pode partir da revisão do acordo sobre a troca de urânio levemente enriquecido pelo produto enriquecido a 20%. O Brasil e a Turquia mediaram o acordo em maio em Teerã. O Irã e os países do P5+1 devem se reunir no próximo mês para reiniciar as conversas em busca de uma solução para o impasse em torno do programa nuclear iraniano. Não há data definida para este encontro.

"No próprio comunicado do P5+1 eles (os países que integram o grupo) afirmam que estão buscando um acordo revisto de troca de urânio", afirmou o chanceler brasileiro. "Nós não vamos cobrar copyright (direito autoral, em inglês)", disse ele, referindo-se ao fato de Brasil e Turquia terem negociado o acordo anterior, que foi rejeitado pela comunidade internacional.

Amorim encerra hoje (28) a participação nas discussões da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Desde a semana passada, o ministro participou de uma série de reuniões em que defendeu as posições brasileiras sobre política externa. O chanceler apelou para o fim da xenofobia e do preconceito em relação ao Irã e condenou as sanções impostas aos iranianos.

Desde 9 de junho, o Irã está submetido a sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). As restrições atingem, sobretudo, as áreas comercial e militar do Irã. Unilateralmente houve mais decisões de sanções ao Irã definidas pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pelo Canadá, pela Austrália e pelo Japão.

Para a comunidade internacional, o programa nuclear do Irã esconde a produção de armas atômicas. As autoridades iranianas negam as suspeitas. Nos últimos dias, porém, os temores aumentaram com informações da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) de que o governo do Irã não permite a fiscalização de inspetores nas usinas nucleares do país.

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