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Plano 3000: a resistência no seio da oligarquia boliviana

por Vinicius Mansur, do Brasil de Fato publicado , última modificação 03/12/2009 19h17

Era sexta-feira 13. De novembro. Um fim de tarde quente, típico de Santa Cruz de la Sierra, a maior cidade boliviana. Em um micro-ônibus, a reportagem do Brasil de Fato acompanhava cerca de 20 jovens pertencentes à Juventude Igualitária Andréz Ibañez, que regressavam de um curso de formação política. Seguíamos para o Plano 3000, zona periférica de Santa Cruz, local de origem da organização juvenil.

Faltando pouco mais de três semanas para as eleições gerais na Bolívia, marcadas para 6 de dezembro, um dos jovens, em clima de campanha, empunhava para fora do micro-ônibus uma bandeira do MAS-IPSP (Movimento ao Socialismo – Instrumento Político para a Soberania dos Povos), partido do presidente Evo Morales. Distraído, o jovem é surpreendido por um puxão em sua bandeira e por um grito que vem do lado de fora: “Colla de mierda!”. O adolescente, branco, que tentou, sem sucesso, roubar a bandeira ainda arremessou uma lata de cerveja em nossa direção, antes que seu micro-ônibus virasse à esquerda e saísse de nossa rota.

De acordo com os moradores do Plano 3000, a agressão racista não foi um azar de sexta-feira 13. Diariamente, os habitantes de Santa Cruz com traços indígenas, especialmente mulheres que trajam uma saia longa pregueada, chamada de pollera, carregando uma criança nas costas através de seu aguayo – as cholas – ou aqueles que demonstram seu apoio ao presidente, sofrem com agressões que, em geral, se iniciam com a expressão raivosa da palavra “colla”.

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