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Amorim comemora aprovação de entrada da Venezuela no Mercosul

Ratificação depende agora do Congresso do Paraguai que, dominado pelo conservador Colorado, anuncia que não permitirá ingresso venezuelano
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 16/12/2009 15h15
Ratificação depende agora do Congresso do Paraguai que, dominado pelo conservador Colorado, anuncia que não permitirá ingresso venezuelano

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, considera que a entrada da Venezuela no Mercosul é um avanço para a integração regional (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, parabenizou nesta quarta-feira (16) o Senado por aprovar o protocolo de entrada da Venezuela no Mercosul. Em comunicado divulgado pelo Itamaraty, o chanceler ressaltou que com o ingresso venezuelano, que agora depende do Congresso paraguaio, o bloco terá 270 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) superior a 2 trilhões de dólares.

“Em 2009, a Venezuela, que já é o segundo maior comprador de mercadorias brasileiras na América do Sul, figura como o sexto destino das exportações brasileiras para o mundo e responde pelo segundo maior superávit nas trocas comerciais do Brasil com o exterior”, aponta Amorim.

No Senado brasileiro, o protocolo enfrentou forte resistência de democratas, tucanos e mesmo de parlamentares da base aliada que consideram que a Venezuela carece de democracia e, por isso, não poderia entrar no bloco. Depois de meses parado na Comissão de Relações Exteriores, o projeto chegou ao plenário novamente envolto em polêmica e houve ampla negociação para que a matéria fosse aprovada.

O placar apertado, 35 a 27, e os últimos seis adiamentos são uma ideia da dimensão ideológica do debate. O comando da base aliada apontava que a aprovação era uma política de Estado, independentemente do governo que hoje tenha a Venezuela, e que a relação econômica não poderia ser deixada de lado.

Integrantes da oposição venezuelana, como o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, estiveram em Brasília para alertar os opositores ao governo Lula que não aprovar a entrada do país no Mercosul seria ruim econômica e politicamente.

O tucano Arthur Virgílio, no debate de terça-feira à noite, não se dava por vencido: “Há um fluxo de comércio muito importante entre os dois países, mas a Venezuela não precisa entrar no Mercosul para manter isso. Não precisaríamos comprar esse desgaste político”.

Do outro lado, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), manifestou que o isolamento político em nada ajuda os países. “Não estamos fazendo uma avaliação do governo Chávez, porque os governos passam, mas a integração econômica, política e cultural vai ficar. O isolamento será pior para a causa democrática na Venezuela”, afirma.

Paraguai

A entrada da Venezuela no Mercosul jogará luzes agora sobre o Parlamento do Paraguai. Este ano, pressionado politicamente pelos problemas na vida pessoal, o presidente Fernando Lugo retirou da pauta o protocolo de ingresso venezuelano.

Agora, Lugo ficará sob pressão também do outro lado, pelos pares sul-americanos, para que volte a apresentar o texto, mas terá muita resistência por parte dos parlamentares.

O presidente do Congresso, Miguel Carrizosa, afirmou que não vai permitir a entrada. “Nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez se mantenha nessa atitude intervencionista, não vamos dar o visto para que a Venezuela entre no Mercosul”, afirmou ao jornal ABC Color.

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.

"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.

Com informações da Reuters, da TeleSur e da Agência Senado.