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Golpistas descumprem acordo em Honduras e formam governo de transição

por anselmomassad publicado , última modificação 06/11/2009 08h45

Com descumprimento de acordo por parte dos golpistas, impasse volta a Honduras (Foto: Edgard Garrido/Reuters)

O Congresso de Honduras não votou a recondução do presidente deposto Manuel Zelaya ao cargo até a quinta-feira (5), prazo estabelecido em acordo entre os apoiadores do mandatário eleito e os golpistas. Apesar disso, o golpista Roberto Micheletti, instalou no final da quinta-feira (5) um governo de unidade nacional sem a participação de Zelaya.

Antes, ele havia demandado que todos os 27 ministros que compõem o seu governo colocassem o cargo à disposição para que seja formado o governo de transição. Micheletti afirma que tomou a decisão porque o presidente deposto não enviou a lista de delegados para fazer parte do governo de unidade.

O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya disse na quinta-feira que um acordo para pôr fim à crise política no país fracassou. Ele considera que o acordo não foi cumprido por não haver posição do Congresso e por não ter sido restituído ao poder. Ele passou a noite reunido com assessores na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Seus aliados alegam que, para formar o governo de transição é preciso que Micheletti deixe o cargo.

“O governo de fato não cumpriu até o momento o que se comprometeu a fazer, reunir o Congresso Nacional para tratar sobre a minha recondução e ao mesmo tempo poder formar o governo de unidade. Podemos interpretar claramente que não há vontade de cumprir o acordo”, afirmou Zelaya ao canal de televisão venezuelano Telesur.

Para o governo golpista, o acordo está mantido. “O acordo se mantém da nossa parte. Nós decidimos respeitá-lo porque esse é o nosso compromisso”, afirmou o ex-ministro Rafael Piñeda Ponce. Segundo Piñeda, Micheletti permanece na presidência até que Zelaya desista do cargo. Se isso ocorrer, o golpista também renunciaria.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Ian Kelly, declarou a formação de um governo de transição não depende da recondução de Zelaya ao poder, embora tenha se expressado favoravelmente a esse caminho. "Achamos que ele deve voltar ao poder. Mas esse é um processo hondurenho agora", afirmou. Segundo Kelly, cabe à Suprema Corte e ao Congresso hondurenhos decidir.

Quarenta e um deputados zelayistas tentavam conseguir uma maioria simples para convocar uma sessão e reinstalar seu líder, mas não obtiveram o apoio de outras forças políticas no Congresso de 128 membros. O Parte dos parlamentares aguarda a posição da Corte Suprema e do Ministério Público antes de decidir sobre a restituição do mandatário.

Durante a quinta-feira, em frente ao prédio do Congresso, partidários de Zelaya mantiveram vigília aguardando a recondução do presidente eleito ao poder. Os integrantes do governo de transição, porém, não foram indicados. Zelayistas se dirigiram ao centro de Tegucigalpa a fim de pressionar pela restituição do presidente deposto.

Atentado

A rádio HRN, partidária do golpe de Estado, foi alvo de uma granada que destruiu parte do telhado do estúdio da emissora. Segundo a polícia, o atentado deixou um técnico de som levemente ferido. O explosivo teria sido detonado por volta das 22h, horário local.

No centro de Tegucigalpa, a 200 metros da concentração de simpatizantes de Zelaya, uma bomba de baixa intensidade explodiu sem deixar feridos, informou a polícia.

Com informações da Reuters e da Agência Brasil