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Zelaya afirma que OEA tentará assinatura de Acordo de San José

Presidente legítimo de Honduras afirma que fracasso em seu retorno ao poder significa derrota do mundo inteiro
por ANSA publicado , última modificação 06/10/2009 13h30
Presidente legítimo de Honduras afirma que fracasso em seu retorno ao poder significa derrota do mundo inteiro

O presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, considera que impasse criado por golpe de Estado será resolvido nesta semana (Foto: José Cruz. Agência Brasil)

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ratificou nesta terça-feira (6) que a missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), que chegará ao país na quarta (7), tem como objetivo a assinatura do Acordo de San José, proposto pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, em julho passado.

"Os chanceleres poderiam ser submetidos a um grandíssimo risco de gozação se não vierem determinados a assinar o 'Plano Arias'. A visita deve ter esse objetivo", disse Zelaya, referindo-se ao pacto que, entre seus pontos, determina sua restituição imediata ao governo de Honduras.

Em declarações a um colaborador do jornal uruguaio La República, Zelaya disse que este "é um plano de emergência para sair de uma crise de um estado de facto, que ao mesmo tempo não paralisa os processos sociais" e "é algo que vou firmar com o fim de restituir a democracia no país e não violar todas as propostas que fiz ao povo".

Na entrevista, realizada por telefone, o mandatário destituído voltou a afirmar que a missão da OEA deve ir na direção da assinatura do tal plano, caso contrário "os governos americanos vão perder muito de sua credibilidade".

Deposto em 28 de junho por um golpe de Estado e expulso do país na mesma data, Zelaya conseguiu regressar a Honduras no último dia 21 e, desde então, está instalado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa que até ontem estava cercada por policiais e militares devido ao estado de sítio, agora suspenso.

Zelaya disse também que não propôs como condição que a Assembleia Constituinte se desenvolva ainda durante seu governo que, se restituído, termina em janeiro de 2010. "A Constituinte não é uma faculdade nem do presidente, nem do regime de facto, nem de nenhum outro grupo", mas sim uma decisão que "corresponde ao povo que é soberano", esclareceu. 

Ele ainda voltou a reivindicar a resistência e considerou que a "batalha" que está ocorrendo em Honduras vai além de suas fronteiras, já que "se fracassarmos o mundo inteiro terá perdido".

Na segunda (5), o governante deposto reiterou sua proposta de assinatura "imediata" do Acordo de San José. Por sua vez, o presidente de facto, Roberto Micheletti, admitiu a possibilidade de deixar o governo, mas propôs que tal posto seja ocupado por um terceiro e declarou que a proposta do mandatário da Costa Rica deverá sofrer modificações.

Liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a missão da OEA, que viaja ao país para negociar a solução à crise que se arrasta há mais de 100 dias em Honduras, será formada pelos ministros das Relações Exteriores da Costa Rica, Hugo Stagno; do Equador, Fander Falconí; de El Salvador, Hugo Martinez; do México, Patricia Espinosa, e do Panamá, Juan Carlos Martínez. O representante do Brasil será o embaixador ante a OEA, Ruy Casaes.